Uma série de concertos junto da comunidade cabo-verdiana espalhada pelos Estados Unidos vai preencher a agenda de Agosto de Zé Rui de Pina, que leva a música tradicional das ilhas até à diáspora. Quatro espectáculos estão já confirmados. Há gente em Nova Iorque a agendar outros, e o músico procura ainda garantir apresentações na Flórida. O Cape Verdean Festival é um dos pontos altos desta digressão.
Em declarações ao Expresso das Ilhas, o cantor explicou que aproveita cada ida aos Estados Unidos para actuar junto dos emigrantes e em restaurantes cabo-verdianos. Espaços como o 10 Rocks e o Cesária Évora, além de um festival de jazz, contam-se entre os palcos que vão receber a sua música. «Quando vou para os Estados Unidos da América, aproveito sempre para fazer vários shows», afirmou. Para o acompanhar, uma banda de músicos residentes naquele país.
Porquê a aposta no repertório tradicional? Porque os emigrantes têm saudades de ouvir a música das ilhas. Sobre o Cape Verdean Festival, recorda que participou na organização e foi um dos primeiros artistas a subir ao palco. Uma das responsáveis, com problemas de saúde, encerra este ano a sua ligação ao evento — e foi ela quem o convidou. Em 2024, numa gala da CV United em Pawtucket, Zé Rui de Pina foi homenageado pelo seu trabalho social e cultural em prol de Cabo Verde e da diáspora.
«Sou sempre bem recebido pela nossa comunidade. Eles já me conhecem e dão-me muita força», confidenciou. Levar a morabeza, diz, tornou-se ainda mais fácil agora que os Tubarões Azuis estão na moda. A notoriedade do país já traz curiosos de longe: um músico mexicano, que toca rancheras, deslocou-se a Cabo Verde e actuou no restaurante do artista, muito aplaudido. «Como músico, estou a fazer a minha parte pela minha terra, que é aquilo de que sempre gostei», realçou.
No mês passado chegou «Dulcinha», o seu single mais recente — uma morna antiga de B.Leza, outrora gravada por Djosinha e apreciada por Bana. Desta vez, em vez de cantar, optou por um solo de cavaquinho. Uma surpresa. O tema saiu em Junho, no dia do seu aniversário, gesto que repete todos os anos como forma de se presentear e de oferecer algo ao país. E o público reagiu: «As pessoas dizem que sentiam falta de música instrumental.»
A música tradicional, lamenta, anda esquecida, sem a divulgação que merece nas rádios. Ainda assim, promete insistir no resgate dos solos — lembra que Bau os fazia sempre nos seus discos — e prepara já nova peça instrumental. Cabo Verde está na moda, sublinha, num caminho aberto por Cesária Évora e reforçado por Vozinha, e importa estar preparado para receber visitantes, sobretudo do Brasil. «Se cada um de nós fizer a sua parte, Cabo Verde vai fluir mais rapidamente», assegurou, sem esperar apenas pelo Governo, como canta Norberto Tavares.


