As ameaças provenientes de Moscovo nos últimos dias têm suscitado preocupação. Especialistas norte-americanos consideram que estas declarações podem ser indícios da preparação para futuros ataques à região do Báltico. De acordo com informações publicadas pelo jornal alemão Bild, os militares ocidentais veem a Estónia, a Letónia e a Lituânia como possíveis alvos da próxima agressão militar da Rússia. Neste contexto, incidentes como violações do espaço aéreo e campanhas de desinformação podem ser prenúncios de uma invasão a um ou mais dos antigos estados soviéticos.
Recentemente, a agência estatal russa Tass divulgou alegações da porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Sacharowa, que afirmou que os Estados Bálticos teriam decidido abrir o seu espaço aéreo para drones ucranianos. No entanto, essa afirmação não encontra respaldo factual. O governo letão acusou a Rússia de lançar uma campanha de desinformação, especialmente após a entrada e queda de drones ucranianos, que teriam devido a desvios, no espaço aéreo báltico no final de março.
Apesar disso, Moscovo já terá transmitido uma advertência aos Estados Bálticos, conforme noticiado pela Tass, informando que, caso esta advertência fosse ignorada, o Ministério das Relações Exteriores russo estaria preparado para tomar “medidas de retaliação”. Políticos russos apoiaram as declarações da porta-voz. O deputado Alexej Tschepa advertiu que esta deveria ser a “última” chance antes da Rússia considerar abater drones sobre o Báltico ou agir de acordo com o direito internacional e acordos da ONU. Outro deputado, Michail Scheremet, fez declarações semelhantes.
O que se deve pensar sobre as ameaças de Moscovo? Segundo o Instituto de Estudos da Guerra dos EUA, estas podem ser vistas como uma preparação para futuros ataques, com as acusações sem fundamento a servirem como “base para ações militares no espaço aéreo sobre um ou mais Estados Bálticos”.
No que respeita a um ataque mais abrangente, continua incerto quando a Rússia poderia estar em posição de o realizar, considerando que a sua força militar ainda está comprometida no conflito com a Ucrânia.
É evidente que um ataque aos Estados Bálticos seria considerado uma agressão à NATO. Contudo, tais ameaças surgem em um momento em que a estabilidade da aliança ocidental está em questão. O presidente dos EUA, Donald Trump, já sinalizou a possibilidade de uma saída da NATO, um ato que o tornaria praticamente inoperante, dado o papel crucial das forças armadas norte-americanas em termos de efetivos, logística e tecnologia. Recentemente, Trump expressou críticas severas à NATO, no contexto das tensões relacionadas com o Irão.


