As fugas de gás detectadas em botijas utilizadas nas habitações em Luanda estão a levantar dúvidas sobre a segurança dos consumidores e, sobretudo, sobre a responsabilidade de cada interveniente na cadeia de fornecimento. Uma reportagem radiofónica realizada em diferentes zonas da província ouviu produtores, distribuidores e revendedores, mas deixou sem resposta uma questão central: em que ponto do circuito está a falhar o controlo das botijas.
A produção e o enchimento estão a cargo da Sonangol, enquanto a distribuição e a revenda envolvem outros operadores. Segundo o jornal Expansão, as explicações recolhidas durante a reportagem acabaram por revelar uma sucessiva transferência de responsabilidades. A fabricante remete o problema para os distribuidores, estes apontam para os revendedores e, no final da cadeia, há comerciantes que aconselham os clientes a devolver as botijas com fugas e a suspender a compra. Fica por esclarecer quem fiscaliza, quais os mecanismos de segurança existentes e a quem deve recorrer um consumidor perante uma botija potencialmente perigosa.
O problema ganha outra dimensão quando esta ausência de responsabilização é comparada com situações registadas noutros sectores em Angola. O Expansão recorda o aparecimento, no mercado paralelo, de livros destinados às escolas, sem que fique esclarecido como material destinado ao sistema de ensino acaba por entrar nos circuitos informais de venda. Na Saúde, são igualmente referidos relatos de erros em procedimentos hospitalares que dão origem a investigações, mas cujos resultados acabam muitas vezes por não ser conhecidos.
A sucessão de justificações, sem uma identificação clara das falhas e dos responsáveis, coloca em causa a confiança dos cidadãos nos serviços e nas instituições. No caso das botijas de gás, a questão é particularmente sensível porque uma fuga pode representar um risco directo para pessoas e habitações. Segundo o Expansão, enquanto não for possível determinar onde ocorre a falha, quem deve fiscalizar e quem responde quando algo corre mal, o consumidor continuará no ponto mais vulnerável de toda a cadeia.



