Quase um em cada quatro candidatos a emprego inscritos no Luxemburgo era, no final de 2025, nacional de um país terceiro — o resultado de um aumento de 52% destes inscritos entre 2018 e 2025, o número mais expressivo revelado pela nova edição do «Zoom Emploi», série de estudos temáticos da ADEM dedicada a questões específicas do mercado de trabalho, publicada esta sexta-feira. O dado ilustra uma transformação profunda da demografia laboral do Grão-Ducado: no mesmo período, a população em idade activa cresceu 12,5% — uma das taxas mais elevadas da UE-27 — e a parte dos nacionais de países terceiros nesse universo passou de 9,4% para 13,1%, o que corresponde a um acréscimo de quase 22.000 pessoas.
A presença destes trabalhadores reforçou-se igualmente entre a população empregada. A 30 de setembro de 2025, os assalariados residentes oriundos de países terceiros representavam 12,2% do total de assalariados residentes, cerca de cinco pontos percentuais acima do valor de 2018, com um aumento de 31.605 pessoas, das quais perto de 60% têm entre 30 e 44 anos, sendo cada vez mais numerosos em sectores que exigem qualificações elevadas. O estudo sublinha, porém, a grande diversidade de percursos por detrás dos números: alguns chegaram ao Luxemburgo no quadro de um projecto profissional, de estudos ou de reagrupamento familiar, enquanto outros deixaram o país de origem por razões forçadas. Estas trajectórias traduzem-se em situações muito distintas perante o emprego, reflectidas nas diferenças entre beneficiários de protecção internacional, beneficiários de protecção temporária e candidatos admitidos por outros motivos de residência, nomeadamente em matéria de género, idade, competências linguísticas e nível de qualificação.
A análise revela ainda um potencial de qualificação considerável, mas também obstáculos à sua valorização. Mais de 40% dos candidatos a emprego nacionais de países terceiros possuem um diploma do ensino superior, contra 29,4% do conjunto da população inscrita na ADEM. Contudo, para a grande maioria (80,9%), o diploma mais elevado foi obtido fora da UE-27, o que pode dificultar o reconhecimento e a transferibilidade das competências. Uma análise centrada em três famílias de profissões — informática e direito, arquitectura e engenharia, e profissões médicas e da saúde — revela desfasamentos acentuados entre a especialização do diploma e a profissão procurada, e a inserção profissional pode ainda ser travada pelas competências linguísticas, pela disparidade dos quadros regulamentares entre países ou por constrangimentos de mobilidade.
Perante estes desafios, a ADEM aplica um conjunto de dispositivos destinados a apoiar as trajectórias profissionais das pessoas em causa, incluindo um acompanhamento personalizado dos candidatos a emprego, formações profissionais para reforçar a empregabilidade e medidas que favorecem a aquisição de experiência profissional, ao mesmo tempo que propõe aos empregadores serviços que facilitam a identificação de competências e os recrutamentos. Estas conclusões inserem-se numa reflexão mais ampla sobre o desenvolvimento de novos instrumentos ao serviço de todos os candidatos a emprego e das empresas, com a modernização dos serviços a visar uma correspondência mais fina entre os perfis disponíveis e as necessidades expressas pelos empregadores. Sem uma identificação clara dos talentos presentes no território, adverte o organismo, existe um risco de desperdício de competências, num momento em que o mercado de trabalho luxemburguês continua confrontado com carências em numerosas profissões e sectores. Os nacionais de países terceiros constituem, assim, não apenas um público a acompanhar, mas também um recurso essencial para a economia nacional, cuja diversidade e competências representam um trunfo maior para responder às necessidades de mão-de-obra.


