A nova tradução francesa de uma das mais emblemáticas obras feministas da literatura portuguesa do século XX motiva uma conferência dedicada à recepção internacional de Novas Cartas Portuguesas, obra-manifesto publicada em 1972 pelas chamadas «Três Marias». O encontro, intitulado «Maria, Puissance Trois – Réception des Nouvelles Lettres Portugaises», reúne em Luxemburgo as tradutoras e investigadoras responsáveis pela edição mais recente do livro, lançada em França pela editora Ypsilon em 2025, e propõe uma reflexão sobre o impacto que esta obra teve nos movimentos feministas europeus e norte-americanos.
Escrito a seis mãos por Maria Velho da Costa, Maria Isabel Barreno e Maria Teresa Horta em pleno Estado Novo, o livro foi imediatamente proibido pela ditadura e as autoras processadas por ultraje aos bons costumes e pornografia. A ousadia do manifesto, que reivindicava o direito inalienável à autodeterminação das mulheres, desencadeou uma vaga internacional de solidariedade sem precedentes, traduzida em edições rapidamente publicadas em França, Alemanha, Itália, Inglaterra e nos Estados Unidos. É precisamente esse fenómeno de circulação transnacional, decisivo para a consagração da obra como referência incontornável da literatura de resistência, que estará no centro do debate, segundo informação divulgada pelo Instituto Pierre Werner.
A mesa reúne Agnès Levécot e Ilda Mendes dos Santos, ambas docentes na Universidade Sorbonne Nouvelle e investigadoras do Centro de Investigação sobre os Países Lusófonos (CREPAL) e co-autoras da nova tradução, e ainda Adília Martins de Carvalho, leitora do Instituto Camões na Universidade do Luxemburgo e directora do Centro Cultural Português – Camões. A historiadora Renée Wagener, especialista nos movimentos sociais emancipatórios das mulheres, assegura a introdução histórica, contextualizando a obra no quadro dos combates feministas emergentes na Europa e abordando igualmente a evolução do movimento feminista no Luxemburgo. A moderação fica a cargo de Sónia da Silva, directora do Instituto Pierre Werner, e as intervenções decorrerão em francês.
A sessão tem lugar na terça-feira, 26 de maio, às 19h00, em Neimënster, com entrada livre e inscrição recomendada através do email info@ipw.lu. O encontro é co-organizado pelo Instituto Pierre Werner e pela Abadia de Neumünster, em parceria com a Embaixada de Portugal e o Centro Cultural Português – Camões, e conta com o apoio do CID Fraen & Gender. A edição francesa da obra publicada pela Ypsilon beneficia ainda do apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, da DGLAB e do Camões, I.P., consolidando uma rede institucional empenhada na difusão internacional do património literário em língua portuguesa.


