O peso das carteiras digitais nas operações processadas pela plataforma Kwik continua reduzido em Angola, apesar da aposta na moeda electrónica como instrumento para alargar a inclusão financeira. Dois anos depois da autorização para a abertura deste tipo de contas, os movimentos associados às carteiras digitais representam apenas uma parcela marginal da actividade no sistema de pagamentos instantâneos, segundo dados divulgados pelo jornal Expansão.
A Kwik foi criada sob orientação do Banco Nacional de Angola (BNA) com o objectivo de facilitar pagamentos e transferências e, simultaneamente, aproximar dos serviços financeiros cidadãos que permanecem fora do sistema bancário tradicional. O modelo apresenta semelhanças com o Pix brasileiro. Em Angola, várias carteiras permitem igualmente efectuar carregamentos, incluindo através da rede Multicaixa e de agentes que operam fora dos canais bancários convencionais.
Os carregamentos mostram, ainda assim, uma utilização significativa dos meios digitais. Eduardo Bettencourt, administrador executivo da EMIS, indicou que mais de 16 milhões de carregamentos foram efectuados através da rede Multicaixa durante os primeiros seis meses do ano, num valor superior a 70 mil milhões de kwanzas. A maior parte destas operações passou pelo MCX Express, segundo explicou o responsável ao Expansão.
Nem todas as transacções realizadas pelas carteiras digitais passam pela Kwik, o que limita uma leitura baseada exclusivamente nos movimentos registados naquela plataforma. Ainda assim, especialistas citados pelo jornal consideram que o contributo líquido dos prestadores de serviços de pagamento para a inclusão financeira permanece modesto. A expansão das contas em moeda electrónica ainda não se traduziu, portanto, numa presença expressiva das carteiras digitais no sistema financeiro de Angola.



