A música vai transformar-se numa ferramenta de prevenção da violência baseada no género (VBG) em Cabo Verde, através de um concurso dirigido aos estudantes do ensino secundário da cidade da Praia. Intitulada «Zero VBG», a iniciativa pretende incentivar os jovens a compor canções que promovam o respeito, a igualdade e relações livres de violência. O projecto é promovido pela Fundação de Religiosos para a Saúde (FRS), com financiamento da Cooperação Espanhola, e dá continuidade às actividades de sensibilização desenvolvidas desde 2023.
Segundo o jornal Expresso das Ilhas, a coordenadora da FRS, Victoria Seoane, explicou que a organização tem realizado festivais gratuitos de música em Kebra Canela, associados ao Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, assinalado a 25 de Novembro. A novidade passa agora por transformar esses encontros num concurso escolar, dando aos estudantes a oportunidade de transmitir mensagens de prevenção através das suas próprias composições. «A música sempre foi um meio para chegar à comunidade, chegar aos jovens e sensibilizar sobre a VBG», afirmou Victoria Seoane. Os participantes terão liberdade criativa para utilizar bases instrumentais disponíveis no YouTube, produzir ritmos com recurso à inteligência artificial ou apresentar canções sem acompanhamento musical.
A prevenção começa também nas escolas. Para a responsável, envolver os adolescentes nesta iniciativa permite abordar desde cedo questões como a construção de novas masculinidades, o respeito mútuo e a igualdade entre mulheres e homens. O concurso inclui ainda prémios destinados a valorizar o talento dos participantes. O primeiro classificado receberá um computador portátil, a gravação profissional da sua música em estúdio e a produção de um videoclipe. Ao segundo lugar será atribuído um telefone, enquanto o terceiro receberá um tablet. Haverá igualmente uma distinção especial para a melhor letra, acompanhada de um conjunto de acessórios tecnológicos.
O concurso «Zero VBG» arranca como projecto-piloto na cidade da Praia, em colaboração com o Ministério da Educação, o Ministério da Família e outras instituições. A experiência poderá posteriormente ser alargada a outros municípios e ilhas de Cabo Verde. Victoria Seoane considera que a iniciativa representa uma oportunidade para os estudantes assumirem um papel activo na transformação das suas comunidades, utilizando a criatividade para combater comportamentos violentos e preconceitos. Mais do que conquistar prémios, o desafio é fazer ouvir uma geração que pode contribuir para uma sociedade mais justa, menos violenta e mais igualitária.



