Mais de 900 pessoas participaram numa acção de sensibilização contra as minas antipessoais, que permitiu recolher 400 quilos de sapatos e 776 assinaturas para uma petição numa iniciativa organizada pela Handicap International. O evento procurou alertar para as consequências devastadoras destas armas, numa altura em que vários países europeus estão a reconsiderar os seus compromissos internacionais de desarmamento.
As minas antipessoais continuam a provocar milhares de vítimas e graves mutilações. Segundo a Handicap International, 90% das vítimas de armas explosivas são civis, das quais 46% são crianças. Quase 30 anos depois da adopção do Tratado de Otava, que proíbe a utilização, produção, armazenamento e exportação de minas antipessoais, vários países anunciaram desde 2025 a intenção de abandonar o acordo. A Polónia e a Finlândia prevêem retomar a produção de minas terrestres, algo que não acontecia na Europa há quase 50 anos, enquanto a Estónia, a Letónia e a Lituânia manifestaram a intenção de adquirir novos arsenais.
A Pirâmide Solidária da Handicap International voltou a ser um dos principais símbolos da iniciativa. Centenas de sapatos, recolhidos desde sexta-feira em diferentes pontos da capital, representaram as vítimas que perderam membros devido à explosão de minas. O público foi convidado a contribuir com calçado usado, tendo sido recolhidos 400 quilos. O programa incluiu ainda um vídeo imersivo sobre o impacto destas armas, uma exposição interactiva dedicada ao quotidiano dos ucranianos afectados pela guerra e a presença de especialistas internacionais. Participaram também 200 estudantes e representantes de empresas parceiras.
O balanço foi considerado muito positivo pela organização, que contabilizou mais de 900 visitantes e 776 assinaturas para a sua petição. Léa Weis, responsável pela Educação para a Cidadania Mundial na Handicap International, destacou o esforço de toda a equipa e mostrou-se satisfeita com o interesse demonstrado pelo público. Segundo a responsável, esta edição confirmou a preocupação dos cidadãos com as consequências humanitárias das minas antipessoais. A iniciativa procurou igualmente mostrar o impacto concreto das missões da organização junto das populações afectadas por conflitos armados.



