Mais de 150 esqueletos humanos foram descobertos durante escavações arqueológicas em Vianden, revelando vestígios excepcionalmente bem conservados do antigo cemitério da igreja dos Trinitários e abrindo novas pistas sobre a população local entre a Idade Média e o século XVIII. Segundo o Governo do Luxemburgo, as escavações decorrem junto à futura pousada da juventude, na place de la Résistance, ao lado da igreja, e deverão ficar concluídas até ao final de 2026.
Os trabalhos arqueológicos no local começaram em 2021, depois da descoberta de uma janela gótica durante escavações destinadas à instalação de um novo posto de transformação eléctrica. Apesar de se pensar que a Segunda Guerra Mundial e intervenções anteriores teriam destruído grande parte dos vestígios, o subsolo revelou-se muito mais preservado. A presença de numerosos ossos humanos levou o Instituto Nacional de Investigações Arqueológicas (INRA), em acordo com a comuna, a suspender as obras de construção em Julho de 2026. As escavações preventivas arrancaram no mês seguinte.
O cemitério estava ligado ao antigo hospital dos Trinitários e acolheu tanto pessoas assistidas naquela instituição como habitantes da região, até desaparecer no final do século XVIII. O estudo dos mais de 150 esqueletos deverá permitir conhecer melhor a composição da população de Vianden, as suas condições de vida e as práticas funerárias. Os restos mortais serão limpos, secos e submetidos a análises antropológicas, incluindo a procura de anomalias, fracturas e patologias. Está posteriormente prevista a sua reinumação, no âmbito de um acordo com a Igreja Católica.
A importância da descoberta foi destacada esta quarta-feira, 23 de Setembro, durante uma visita do ministro da Cultura, Eric Thill, acompanhado pelo presidente da Câmara de Vianden, François Weyrich, e pelo director do INRA, David Weis. De acordo com o Governo do Luxemburgo, o caso demonstra também o papel das escavações arqueológicas preventivas na preservação do património antes da continuação das obras. Desde a alteração da lei relativa ao património cultural, em 2025, a totalidade das despesas resultantes deste tipo de escavações é suportada pelo Estado.



