O combate ao «money muling» no Luxemburgo ganhou uma campanha concebida pelos próprios jovens, numa altura em que este tipo de esquema tem vindo a aumentar entre as camadas mais novas. O projecto, lançado no início de 2026 pela Polícia Grã-Ducal em cooperação com o Maacher Lycée, levou alunos a criarem materiais de prevenção, incluindo um pequeno vídeo destinado a explicar os riscos associados à utilização de contas bancárias para movimentar dinheiro proveniente de actividades criminosas.
Os trabalhos de três grupos de alunos foram apresentados hoje no Maacher Lycée, perante representantes das autoridades e da comunidade escolar. A proposta vencedora passará a ser utilizada pela Polícia nas suas campanhas de prevenção contra o «money muling», juntamente com o cartaz criado no âmbito do projecto. Segundo a Polícia Grã-Ducal, a iniciativa procurou não apenas informar os estudantes, mas também levá-los a reflectir sobre um fenómeno que frequentemente recruta jovens através das redes sociais e de plataformas de mensagens, como o Snapchat.
No «money muling», uma pessoa aceita receber na sua conta dinheiro que não lhe pertence e transfere-o depois para outra conta, ou levanta-o em numerário para o entregar a terceiros, normalmente em troca de uma comissão. Estes fundos podem resultar de phishing ou de outras fraudes. A Polícia alerta que jovens e pessoas em situação financeira precária estão entre os alvos dos recrutadores e recorda que é proibido colocar uma conta ou cartão bancário à disposição de terceiros. Na apresentação, o director central da polícia administrativa, Thierry Fehr, abordou as tendências actuais do phishing e do «money muling» e sublinhou a necessidade de reforçar a prevenção.
As consequências podem ser pesadas. De acordo com a Polícia Grã-Ducal, uma pessoa processada por branqueamento de capitais arrisca, nos termos do artigo 506-1 do Código Penal, uma pena de prisão entre um e cinco anos e/ou uma multa de 1.250 a 1.250.000 euros, além da confiscação obrigatória prevista no artigo 31. Caso o dinheiro já não possa ser localizado, a confiscação pode atingir outros bens do condenado até ao valor dos fundos que passaram pela conta. O ministro dos Assuntos Internos, Léon Gloden, destacou o envolvimento dos alunos e classificou a prevenção como uma responsabilidade partilhada.



