A transferência do antigo porta-aviões italiano «Giuseppe Garibaldi» para a Marinha indonésia marca um reforço significativo da capacidade naval do país no Indo-Pacífico, numa altura de elevada tensão geopolítica na região. A embarcação, com cerca de 180 metros de comprimento, foi desactivada em 2024 e deixou de integrar a frota italiana, que passou a operar o ITS Cavour como principal porta-aviões desde 2009. A venda foi já autorizada pelo Parlamento italiano, ainda que a Indonésia vá receber o navio sem qualquer sistema de armamento ofensivo na fase inicial.
Os preparativos para a entrada ao serviço já estão em curso na base naval de Juanda, em Java Oriental, onde foi recentemente pintada uma marcação de grandes dimensões a reproduzir o convés de um porta-aviões. Pilotos e equipas de superfície treinam ali os procedimentos essenciais à operação deste tipo de embarcações, com particular incidência nas manobras de descolagem e aterragem. Apesar de a marcação seguir, no essencial, o desenho do «Giuseppe Garibaldi», existem diferenças relevantes que indicam que esta fase de instrução se concentra ainda em rotinas básicas, antes da assimilação dos protocolos específicos da plataforma italiana.
O reforço da componente naval indonésia surge num contexto de crescente tensão com a China no Mar do Sul da China, onde se mantêm disputas em torno de limites marítimos e direitos de pesca, em particular nas imediações das Ilhas Natuna. Diversos analistas internacionais apontam que a ambição da Indonésia em afirmar-se como potência marítima regional constitui um dos factores que alimenta esta tensão. O porta-aviões deverá ser articulado com novos navios de guerra e submarinos, no quadro de um plano alargado de modernização que visa expandir a projecção naval do arquipélago.
A plena operacionalidade da embarcação está, contudo, ainda distante. A transferência formal só deverá ser concluída no final de 2026, devendo seguir-se um extenso programa de modernização capaz de devolver ao navio a sua capacidade de combate efectiva. Trata-se de um processo demorado, com elevada exigência técnica e logística, que terá impacto directo no calendário de operações da Marinha indonésia e no equilíbrio estratégico do Indo-Pacífico nos próximos anos.


