A realização de eleições inclusivas, livres, transparentes e credíveis a 6 de Dezembro foi reafirmada como uma das prioridades do processo de regresso à normalidade constitucional na Guiné-Bissau. Na 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, o primeiro-ministro de transição, Ilídio Vieira Té, garantiu que o executivo está empenhado no cumprimento desse objectivo, num país que atravessa um período de transição desde a interrupção da ordem constitucional em 26 de Novembro de 2025. A intervenção coincidiu ainda com as celebrações do 53.º aniversário da independência, assinalado a 24 de Setembro. Segundo a DW África, Vieira Té apresentou perante a comunidade internacional as prioridades diplomáticas guineenses e os passos que considera necessários para recuperar a ordem constitucional.
A nova Constituição da República, submetida a referendo popular em Agosto, foi apontada pelo chefe do Governo de transição como uma «etapa crucial» desse percurso. Vieira Té agradeceu igualmente o «acompanhamento contínuo» da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), da União Africana e dos restantes parceiros internacionais. O calendário eleitoral, contudo, continua a suscitar contestação interna. De acordo com a DW África, partidos da oposição sustentam que não estão reunidas as condições necessárias para o escrutínio. Paulo Baptista, porta-voz do Partido de Renovação Social (PRS), admitiu a possibilidade de um novo boicote popular, à semelhança do ocorrido durante o referendo constitucional, e classificou como «encenação» o bloqueio que, segundo afirmou, impede partidos sem condições adequadas de participarem nas próximas eleições.
Também a participação do PAIGC permanece dependente das condições criadas para assegurar um processo livre e transparente. Muniro Conté, porta-voz do partido, declarou à DW que uma repetição do cenário verificado no referendo — sem participação plena dos partidos políticos e da sociedade civil e sem observação internacional — colocaria em causa a presença da formação política no escrutínio. A posição contrasta com o compromisso apresentado pelo executivo de transição nas Nações Unidas e mantém no centro do debate político guineense as garantias que acompanharão as eleições de 6 de Dezembro.
A passagem por Nova Iorque serviu ainda para anunciar a candidatura da Guiné-Bissau a membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas no biénio 2028-2029, sob o lema «Prevenção. Cooperação. Paz». Vieira Té defendeu uma reforma da governação mundial, argumentando que África continua «insuficientemente representada» nas instâncias internacionais responsáveis pelas decisões sobre paz e segurança. O primeiro-ministro pronunciou-se igualmente a favor do reforço da diplomacia preventiva e do combate ao crime organizado transnacional e às alterações climáticas.



