Um pedido formal de desculpas pela expulsão do embaixador da União Europeia em Bissau marcou a resposta das autoridades de transição da Guiné-Bissau a um dos mais graves incidentes diplomáticos recentes com o bloco comunitário. O gesto surgiu depois de o representante europeu ter sido retirado, por homens armados, de um evento dedicado aos direitos humanos.
De acordo com a Comissão Europeia, o primeiro-ministro de facto, Ilídio Vieira Té, e o ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de transição apresentaram pessoalmente as suas desculpas na segunda-feira, 9 de Fevereiro. O anúncio foi feito pelo porta-voz da política externa do executivo comunitário, Anouar El Anouni, durante a conferência de imprensa diária da instituição.
O incidente que motivou o desagravo ocorrera dois dias antes. A 7 de Fevereiro, o embaixador da UE em Bissau, Federico Bianchi, visitava a Casa dos Direitos, uma organização da sociedade civil, no âmbito das jornadas dos direitos humanos, quando, no final do encontro, segundo o relato comunitário, «os participantes foram expulsos por homens armados em minutos». Posteriormente, o diplomata contactou as autoridades de facto a solicitar esclarecimentos adicionais, tendo recebido o pedido de desculpas de forma directa.
A reacção oficial contrastou com a posição assumida poucos dias antes. Na quarta-feira anterior, o Governo de transição da Guiné-Bissau distanciara-se do sucedido, alegando desconhecer a acção policial que envolveu o diplomata, tal como havia sido denunciado pela Liga Guineense dos Direitos Humanos. Segundo a imprensa guineense, Federico Bianchi realizava uma visita guiada à Casa dos Direitos, sede daquela organização, quando recebeu ordem das forças policiais para abandonar o local, juntamente com todos os presentes.
Citado pela Deutsche Welle, o primeiro-ministro Ilídio Vieira Té lamentou o episódio, sustentando que as autoridades guineenses «só mais tarde» tomaram conhecimento do que estava a decorrer e dando o assunto por esclarecido com o embaixador da União Europeia.


