A necessidade de uma liderança política mais próxima das populações e capaz de transformar desafios em soluções concretas esteve no centro da Conferência Provincial de Quadros da FRELIMO realizada em Inhambane, Moçambique. O encontro, o primeiro em quase uma década, serviu de plataforma para um apelo inequívoco à renovação do compromisso dos dirigentes partidários com as comunidades que representam, segundo o jornal O País.
No discurso mais marcante da sessão, a Primeira Secretária Provincial da FRELIMO em Inhambane, Adélia Macucule, identificou o desemprego juvenil, os efeitos das alterações climáticas, o aumento do custo de vida e a propagação de discursos divisivos como os principais desafios que o partido deve enfrentar de frente. Evocando a história da luta pela independência nacional, Macucule sublinhou que os grandes obstáculos nunca foram superados pela improvisação, mas sim pela organização, disciplina e unidade. A conferência decorreu no contexto das comemorações dos 51 anos da Independência Nacional, o que conferiu à reunião uma carga simbólica acrescida.
A dirigente alertou igualmente para ameaças internas, nomeando a intriga, o individualismo e a cultura de conflito permanente como factores que podem comprometer a capacidade organizativa do partido. Para Macucule, nenhuma organização consegue produzir resultados quando as suas energias são consumidas por disputas internas. Os cargos de direcção foram apresentados não como privilégios pessoais, mas como missões de serviço público, exigindo ética, disciplina e responsabilidade. O encontro em Inhambane integra a preparação da 11.ª Conferência Nacional de Quadros da FRELIMO, prevista para Agosto próximo.
A mensagem central do encontro foi a de que a força política da FRELIMO não se constrói apenas nos períodos eleitorais, mas no dia-a-dia, através da resolução efectiva dos problemas das comunidades e do fortalecimento dos órgãos de base. A actual geração de dirigentes, defendeu Macucule, tem a responsabilidade de consolidar o desenvolvimento, preservar a paz e criar melhores condições para as gerações futuras — tarefas que exigem renovação constante, formação de novos quadros e a prevalência do interesse nacional sobre os interesses individuais.


