O acto de assumir a liderança nas festividades de São João em 2027 não se limita a um simples compromisso administrativo, mas representa uma homenagem póstuma a um dos maiores ícones da cultura bravense. Nhô Mundinho, reconhecido pela sua mestria como tamboreiro e artesão, é recordado com grande carinho por aqueles que acompanharam a sua dedicação à preservação da identidade cultural da ilha.
Ao longo de várias décadas, as mãos de Nhô Mundinho marcaram o ritmo das coladeiras e moldaram os tambores que animavam as celebrações. Ele não só foi um exemplo de artista, mas também formou inúmeras gerações de músicos. A sua partida deixou um vazio significativo na comunidade, no entanto, a decisão da sua família de liderar as festividades garante que o seu legado ressoará nas ruas da Brava.
“Celebrar São João é celebrar a nossa própria história. Ter a família de Nhô Mundinho à frente desta tradição será um momento inesquecível e um tributo justo a quem tanto contribuiu para a nossa terra”, afirmaram as autoridades locais.
A iniciativa vai muito além do reconhecimento individual de Nhô Mundinho. Tanto a autarquia como a família evidenciam que este compromisso é uma homenagem a todas as personalidades que deram o seu contributo para a salvaguarda da cultura local. O propósito é claro: honrar os antepassados que mantiveram acesa a chama do Sanjon, inspirar os jovens a valorizar o artesanato e a música tradicional, e, ao mesmo tempo, fortalecer a conexão com as raízes culturais da ilha.
O anúncio desta festividade tem gerado um forte entusiasmo na comunidade e na diáspora, com expetativas de que o ano de 2027 marque um momento histórico nas celebrações do Santo Padroeiro da ilha, unindo saudade, gratidão e a vibrante alegria cultural que caracteriza a Brava, conforme reporta a comunicação social de Cabo Verde.


