As regras de atribuição de alojamento de emergência vão ser revistas em Esch-sur-Alzette, na sequência da evacuação de quatro famílias, num total de 15 pessoas, de dois edifícios da rua Curé Jacques Kayser, devido ao aparecimento de fissuras graves. A Câmara Municipal anunciou que pretende elaborar um regulamento com critérios mais claros, que será posteriormente discutido pelo Conselho Comunal.
A decisão consta de uma resposta oficial a uma interpelação apresentada pelo conselheiro comunal Marc Baum. Os primeiros problemas nos edifícios tinham sido comunicados em 2020, mas a situação agravou-se em 2025, levando à realização de estudos técnicos. As investigações apontaram para a retracção dos solos argilosos, provocada pelos períodos de seca, como causa das fissuras. A 24 de Julho de 2026, perante o risco identificado por um perito, os moradores foram obrigados a abandonar as habitações até ao final do dia.
Segundo a autarquia, três agregados familiares receberam acompanhamento dos serviços municipais e do Gabinete Social. Um encontrou alojamento num centro para idosos, outro beneficiou de apoio financeiro para uma solução temporária e um terceiro ficou alojado junto de familiares. A Câmara garante ainda que a escolaridade das crianças afectadas não foi prejudicada e que os serviços sociais continuam a acompanhar a situação.
A questão do realojamento esteve no centro da polémica. A Câmara dispõe actualmente de quatro alojamentos de emergência, com capacidade máxima para 18 pessoas, mas considera que estes recursos se destinam sobretudo a situações súbitas e imprevisíveis, como incêndios. O executivo, presidido por Christian Weis, defende que a legislação luxemburguesa distingue proprietários de inquilinos e não obriga os municípios a financiar uma habitação alternativa para quem reside em casa própria.
O caso poderá também levar a novas medidas de prevenção. A autarquia pretende solicitar às autoridades nacionais informações mais detalhadas sobre a composição dos solos de Esch-sur-Alzette e avaliar a necessidade de estudos adicionais, tendo em conta os efeitos das secas prolongadas nos edifícios. A resposta municipal, assinada por Christian Weis, Bruno Cavaleiro e Mandy Ragni, confirma ainda a intenção de clarificar os critérios de acesso ao alojamento de emergência, embora não tenha sido anunciada uma data para a apresentação do novo regulamento.



