A cooperação europeia em matéria de defesa ganhou um novo eixo de articulação política com o alargamento do formato D-A-CH-LU, que pela primeira vez integrou o Luxemburgo num diálogo estratégico com a Alemanha, a Áustria e a Suíça. O encontro, realizado a 18 de maio de 2026 em Berlim, reuniu os ministros da Defesa dos quatro países para debater a actual conjuntura de segurança no continente, num momento marcado pela continuação da guerra de agressão russa contra a Ucrânia e pelos focos de tensão no Médio Oriente.
Entre os temas centrais da reunião destacou-se a expansão das capacidades espaciais e o aprofundamento da cooperação neste sector estratégico, considerado fundamental para a autonomia e a resiliência europeias. A ministra da Defesa luxemburguesa, Yuriko Backes, sublinhou perante os homólogos Boris Pistorius, Klaudia Tanner e Martin Pfister as capacidades já existentes do Grão-Ducado em comunicações por satélite, assinalando ainda o previsto lançamento do segundo satélite governamental de comunicação, o GovSat-2, até ao final da década, bem como a entrada em funcionamento do satélite de observação terrestre LUXEOSys, prevista para o outono deste ano.
Na conferência de imprensa que se seguiu às discussões, Yuriko Backes enfatizou a importância da colaboração entre os países democráticos europeus no domínio da defesa, advertindo que a paz no continente já não pode ser tomada como uma certeza adquirida. “Sabemos que a paz no nosso continente já não é uma certeza. Não podemos ser ingénuos. E, de facto, não o somos. Não devemos entrar em pânico. E, evidentemente, não o estamos a fazer. Precisamos de encarar as realidades”, declarou a governante.
O formato D-A-CH-LU, convocado por iniciativa do ministro federal alemão Boris Pistorius, reúne tradicionalmente a Alemanha, a Áustria e a Suíça num diálogo de proximidade entre administrações germanófonas, e passa agora a contar com a participação do Luxemburgo, segundo informação divulgada pelo Governo do Luxemburgo. A inclusão do Grão-Ducado reforça o alinhamento entre Estados-membros e parceiros centrais europeus em torno de prioridades comuns de defesa, num quadro em que a guerra na Ucrânia e a instabilidade no Médio Oriente continuam a moldar a agenda de segurança no espaço europeu.


