As eleições gerais no Peru este domingo revelaram uma acentuada luta pelo segundo lugar, que dá acesso à segunda volta, mas também mostraram claros perdedores, com vários candidatos a despedirem-se com resultados de votação muito discretos. Segundo informações publicadas pelo jornal El Comercio, figuras que começaram a campanha com uma presença relevante, como César Acuña, Mario Vizcarra e George Forsyth, não conseguiram sobreviver à competição.
De acordo com a mesma fonte, a sondagem eleitoral da Datum, publicada em janeiro, colocava Mario Vizcarra, irmão do ex-presidente Martín Vizcarra, em quarto lugar, com 5,8% das intenções de voto. Forsyth e Acuña estavam em posições expectantes, com 2,8% e 2,5% respectivamente. Enrique Castillo, analista político, salientou que a fragilidade das candidaturas se deve à incapacidade destes candidatos em aproveitar o capital político com que começaram a campanha.
No caso específico de Mario Vizcarra, Castillo considerou que ele não soube capitalizar o prestígio do irmão e acabaria por falhar na sua representação política. “Mario Vizcarra tinha um capital eleitoral muito maior que o de Pedro Castillo, mas perdeu-se em campanhas pouco eficazes”, comentou o especialista. Desde o seu bom posicionamento inicial, Vizcarra caiu para 3,6% em fevereiro e para apenas 1,2% em março, deteriorando ainda mais a sua posição nas pesquisas seguintes.
Enzo Elguera, também analista político, concordou, observando que o erro de Vizcarra foi tentar distanciar-se da figura do irmão em momentos delicados. “Essa tática fez com que o público não o visse como um sucessor de Martín Vizcarra”, disse Elguera, reforçando que foi demasiado tarde para tentar corrigir a imagem.
Quanto a César Acuña, a análise é semelhante. Os especialistas concordam que ele não conseguiu capitalizar a sua influência como líder da Aliança para o Progresso (APP), uma força significativa na política peruana. A candidatura de Acuña manteve-se relativamente estável, alcançando um pico de 3,8% em março; no entanto, o desempenho fraco em debates e a falta de respostas adequadas aos ataques de adversários foram cruciais para o seu deslize.
“A má estratégia política e o uso excessivo de recursos levaram a APP a uma posição precária”, afirmou Castillo. Elguera complementou que a fraca comunicação da APP em relação a investigações prejudicaram a imagem de Acuña.
Com o partido Somos Perú, a situação não foi muito diferente. A escolha de um candidato com um histórico fraco resultou na perda de uma boa oportunidade. Castillo criticou a escolha de um representante sem potencial para uma nova corrida, afirmando que esa decisão arruinou qualquer força que o partido pudesse ter.
A caminhada de Wolfgang Grozo, do Integridade Democrática (ID), também foi marcada por desafios. O seu início na corrida foi tímido, com apenas 0,5% das preferências, mas houve uma leve melhora em fevereiro, alcançando 0,7%. Contudo, seus pontos de apoio caíram para 2,6% no final de março, refletindo sua dificuldade em garantir uma base eleitoral sólida.
Para Elguera, Grozo é emblemático do que ele chama de “voto emocional”, que tem demonstrado alta volatilidade. “Os candidatos como Grozo não possuem um voto consistente; quando surgem questionamentos sobre suas vidas privadas, os eleitores rapidamente migraram para outras opções”, explicou Elguera.
Outros candidatos, como Marisol Pérez Tello e Mesías Guevara, começaram com índices baixos, 0,4% e 0,2% de intenções de voto, respetivamente. Apesar de ter crescido para 4,6% nos estudos mais recentes, o que culminou numa sétima posição, isso revelou-se insuficiente. A falta de estrutura nos seus partidos foi um ponto crítico.
E no espectro final, candidatos com propostas fracas e imagens negativas, como Roberto Chiabra e José Williams, também mostraram desempenho insatisfatório, refletindo diretamente nos seus percentuais. A condição de ex-militares e a sua ligação ao atual Congresso foram considerados fatores prejudiciais para as suas candidaturas.
Em suma, as eleições gerais de domingo não apenas mostraram a luta pelo segundo lugar, mas também a fragilidade de várias candidaturas que, mesmo com momentos de destaque, falharam em consolidar o seu apoio eleitoral.


