Assegurar cada fase do percurso de quem vive com uma doença crónica — da prevenção ao acompanhamento prolongado — tornou-se o eixo central da mobilização assinalada a 17 de setembro, no Dia Mundial da Segurança do Doente. A Direcção da Saúde associa-se à campanha da Organização Mundial da Saúde, que este ano avança sob a bandeira dos cuidados seguros no combate às doenças não transmissíveis. Um atraso no diagnóstico, uma informação mal passada ou uma ruptura no seguimento bastam para pôr em causa a saúde de um doente. Segundo a OMS, uma em cada dez pessoas sofre danos durante os cuidados de saúde, e cerca de metade desses casos seria evitável.
Cuidados seguros significam, na prática, uma abordagem apropriada a cada pessoa, sustentada no conhecimento científico e ajustada à sua situação — apoiada em informação clara, na participação do próprio doente e na articulação entre profissionais. As doenças não transmissíveis, ou crónicas, são afecções prolongadas que não passam de pessoa para pessoa e resultam de uma combinação de factores genéticos, fisiológicos, ambientais, socio-económicos e comportamentais. No Luxemburgo, contam-se sobretudo os cancros, as doenças cardiovasculares e respiratórias, as perturbações músculo-esqueléticas, a depressão, a demência, a obesidade e a diabetes. A sua frequência aumenta com a idade. Num país cuja população envelhece, o desafio ganha peso.
A segurança do percurso começa antes da própria doença. A prevenção actua sobre os principais factores de risco, com acções públicas dirigidas ao tabagismo, ao consumo de álcool, à alimentação equilibrada e à actividade física regular. A detecção precoce completa o quadro: os programas nacionais de rastreio do cancro da mama e do cancro colorrectal permitem encaminhar rapidamente eventuais anomalias, enquanto um rastreio nacional gratuito da hipercolesterolemia familiar é proposto a todas as crianças aos 18 meses, para travar cedo uma doença hereditária de risco cardiovascular.
A coordenação entre quem trata é a última linha de defesa. Para os doentes crónicos ou com necessidades complexas, o Governo do Luxemburgo aposta nas chamadas redes de competências, que reúnem médicos, profissionais e estabelecimentos de saúde em torno de um mesmo percurso — do ParkinsonNet, para as doenças neurodegenerativas, às respostas na dor crónica, na imuno-reumatologia de adultos e crianças ou na diabetes e obesidade, com o OBEDIA-Kids no caso dos mais novos. Menos informação perdida, menos quebras no seguimento, menos riscos de cuidados fragmentados. É esse, no fundo, o sentido do lema escolhido pela OMS para 2026: cuidados seguros para a vida.


