O último relatório aponta para pelo menos 45 mortos, principalmente nas províncias de Benguela e Luanda. Mais de 51 mil habitantes foram afectados, resultando no desabamento de centenas de casas e na destruição de inúmeras escolas e unidades de saúde.
Após as chuvas torrenciais, residentes de áreas vulneráveis nos municípios do Cazenga, Viana e Kilamba Kiaxi, em Luanda, clamam por assistência imediata. Na província de Benguela, a situação é descrita como alarmante por Chipilica Eduardo, membro da ONG Omunga, que em entrevista à comunicação social da Guiné, denunciou a “negligência das autoridades” em matéria de prevenção.
Em relação à situação actual em Benguela, Chipilica Eduardo afirma: “Na verdade, as coisas não estão bem. Ainda há desaparecidos, e não existe um número exacto de vítimas mortais, nem dos danos materiais. A pré-avaliação ainda está em curso, mas os dados oficiais indicam menos de 30 mortos”.
E acrescenta que o problema não é recente: “Desde 2015, após os eventos de 11 de Março, as autoridades nunca tiraram ilações para prevenir situações como esta. As valas continuam a ser um dos principais problemas, além das habitações situadas em zonas de risco. A situação é preocupante. Se as chuvas continuarem, o pior poderá estar por vir.”
Chipilica Eduardo sublinha a urgência de iniciativas preventivas. “É necessário abordar a questão das valas e outras situações que poderiam ser evitadas. Existe uma grande irresponsabilidade por parte das autoridades que tem resultado nesta calamidade. A drenagem é vital, e algumas obras realizadas nas valas agravam a situação, contribuindo para o problema. É uma responsabilidade do Estado proteger e garantir o direito à vida, algo que, infelizmente, tem sido negligenciado nos últimos anos.”
Em termos práticos, a necessidade mais urgente no terreno diz respeito ao apoio básico. “A assistência é mínima, com algumas organizações ligadas ao partido no poder e administrações municipais a oferecer algum apoio, mas é insuficiente. As famílias carecem de apoio logístico e funerário. Contudo, a verdade é que muitos continuam a viver ao relento, sem um plano de emergência efectivo.”
Chipilica destaca também as questões de construção, uma vez que as famílias em zonas de risco não têm recursos para edificações adequadas. “Com as chuvas ainda em curso, é incerto como se resolverá esta situação. A falta de recursos humanos é evidente, havendo locais onde as águas permanecem estagnadas, criando lama e complicando ainda mais os esforços de socorro.”


