Uma concessão de ouro e terras raras que se estende por 786 quilómetros quadrados, no município da Ganda, entrou no radar do investimento estrangeiro. A Newfoundland Discovery Corp. (Newd), empresa mineira canadiana cotada na Canadian Stock Exchange, celebrou um acordo definitivo de troca de acções para adquirir a totalidade da Orenoxe Holdings. O negócio foi anunciado a 10 de agosto e noticiado pelo jornal angolano Expansão.
A Orenoxe detém o direito de adquirir, por participação progressiva, até 70% da subsidiária Goldango — Mineração, com opção de subir para 90%. É a Goldango que controla o chamado «Projecto Ganda», na província de Benguela. Registada em agosto de 2021 e sediada em Luanda, a empresa tem capital social de 1 milhão Kz e três sócios: José Manuel de Castro, com metade do capital, e António Figueiredo Loureiro e Augusto Bicho Loureiro, com 25% cada.
Jeremy Prinsen, presidente e director executivo da Newd, descreveu o projecto como um activo raro para uma empresa júnior, com potencial para ouro, terras raras e cobre, já submetido a levantamentos magnéticos aéreos e validado no terreno. Sublinhou tratar-se de uma jurisdição capaz de licenciar e construir uma mina de terras raras, numa alusão ao projecto da Pensana em Longonjo, no Huambo, em parceria com o Fundo Soberano de Angola. «Os mineiros artesanais encontraram o ‘fumo’ há anos; o nosso programa vai atrás do ‘fogo’», resumiu.
O calendário é apertado. Concluída a transacção, a empresa arranca com um programa de prospecção de dois meses e assume o compromisso de gastar 1 milhão USD em exploração dentro do prazo fixado, sob pena de perder a participação. A Newd já apresentou à Agência Nacional de Recursos Minerais um pedido de conversão da licença actual num título de exploração — passo que, segundo o Expansão, acompanha os movimentos recentes do sector mineiro na região centro-sul do país.


