A protecção da saúde perante o calor extremo e a preservação da água passaram para o centro das preocupações, com a divulgação de um conjunto de recomendações destinadas a reduzir os riscos associados às temperaturas elevadas que se fazem sentir no país, e que poderão aproximar-se ou ultrapassar os 35 graus, incluindo durante o fim-de-semana. As orientações abrangem o universo laboral, com medidas dirigidas a empregadores e assalariados, o espaço doméstico e escolar, com conselhos para a protecção das crianças, e ainda a gestão responsável de um recurso que escasseia em períodos de canícula, procurando prevenir situações de desidratação, exaustão, golpes de calor e a degradação ambiental.
Para as tarefas realizadas no exterior, aconselha-se a criação ou o aproveitamento de zonas de sombra bem arejadas e o fornecimento de água potável temperada em quantidade suficiente, prevendo-se a ingestão de três a quatro litros por dia consoante o esforço exigido, de preferência em pequenas quantidades e de forma regular. Recomenda-se igualmente a redução das funções que exijam esforço físico intenso e prolongado junto de chapas metálicas, superfícies betonadas ou alcatroadas expostas ao sol, bem como o recurso a meios mecânicos para os trabalhos mais penosos, como a movimentação de cargas. O vestuário deve ser adequado — leve, amplo, de cor clara, com cobertura para a nuca, óculos com filtro solar e cremes de protecção —, dando-se preferência a veículos e máquinas com ar condicionado e a equipamentos de protecção individual compatíveis com o calor. No interior dos espaços de trabalho, sublinha-se a importância de vigiar a temperatura ambiente, sobretudo em locais fechados, de assegurar o isolamento térmico dos edifícios e de disponibilizar meios de combate ao calor, como ventiladores de apoio, áreas climatizadas e água potável temperada, entre os dez e os quinze graus.
As atenções voltam-se também para as crianças, particularmente vulneráveis às temperaturas elevadas. Em casa, recomenda-se que bebam água com regularidade ao longo do dia, mesmo sem sensação de sede, e que a habitação se mantenha fresca, com portadas, cortinas e janelas fechadas durante o dia e arejamento durante a noite e ao início da manhã. Aconselha-se o uso de tecidos leves e, nas saídas, de boné, óculos de sol e creme solar, evitando deslocações e actividade física nas horas de maior calor. Importa refrescar a criança com duches ou banhos tépidos e panos húmidos no rosto, na nuca e nos braços, privilegiar refeições ligeiras e ricas em água, como fruta e legumes, e optar por brincadeiras calmas em zonas frescas e sombreadas. Reforça-se uma advertência essencial: nunca deixar uma criança sozinha dentro de um automóvel, ainda que por poucos minutos.
Dores de cabeça, cansaço invulgar, náuseas, pele quente e avermelhada, sede intensa ou sonolência podem ser sinais de um golpe de calor. Nesses casos, a criança deve ser colocada num espaço fresco, hidratada e refrescada, e perante sintomas graves, como confusão, mal-estar ou febre elevada, deve contactar-se de imediato o 112. De acordo com o Governo do Luxemburgo, as escolas mantêm-se abertas e em funcionamento, com o pessoal a assegurar a hidratação dos alunos, a utilizar os espaços mais frescos e a adaptar as actividades, pedindo-se aos pais que equipem os filhos com um cantil de água e vestuário ajustado ao calor. A divulgação destes conselhos surge na sequência de um aviso de calor emitido pelo serviço meteorológico MeteoLux.
A par da saúde, a preservação da água assume-se como um desafio essencial durante os períodos de canícula, em que as reservas podem diminuir rapidamente, afectando o ambiente e o abastecimento de água potável. Entre os gestos simples e eficazes ao alcance de cada cidadão, aconselha-se limitar a rega dos jardins às horas mais frescas, privilegiar plantas pouco exigentes em água e aproveitar a água da chuva sempre que possível. Os relvados não necessitam de rega, recuperando o seu tom verde com as primeiras chuvas, e medidas como reduzir a duração dos duches, reparar as fugas e utilizar os electrodomésticos à carga máxima contribuem igualmente para uma utilização mais racional. Recomenda-se ainda limitar as captações de água nos cursos de água, uma vez que, com o calor, a descida do nível dos rios eleva a temperatura da água, reduz a disponibilidade de oxigénio para os organismos aquáticos e aumenta a concentração de poluentes, fragilizando a fauna e a flora e comprometendo a própria sustentabilidade do recurso.
A legislação laboral luxemburguesa prevê ainda que as empresas possam recorrer, sob determinadas condições, ao regime de desemprego por intempéries, uma medida que permite suspender ou reduzir a actividade em períodos de condições meteorológicas adversas. As diligências necessárias para aceder a este mecanismo encontram-se disponíveis na plataforma interactiva e segura do Estado, o portal Guichet.lu, onde os empregadores podem consultar os procedimentos aplicáveis e formalizar os respectivos pedidos. A gestão ponderada da água, lembra o Governo do Luxemburgo, constitui um compromisso colectivo para proteger os recursos e enfrentar episódios de calor cada vez mais frequentes, garantindo que a água consumida hoje continue disponível para as necessidades de amanhã.


