A aterragem do primeiro avião totalmente eléctrico de uso comercial no aeroporto do Findel resumiu, por si só, o alcance das mudanças que marcaram a aviação civil luxemburguesa em 2025. O aparelho, um C300 da Beta Technologies, pousou em junho na presença da ministra da Mobilidade e das Obras Públicas, Yuriko Backes, num episódio descrito como histórico e que dá corpo ao esforço do Grão-Ducado para descarbonizar o transporte aéreo. O balanço consta do relatório de actividade agora publicado pela Direcção da Aviação Civil (DAC), a autoridade responsável pela segurança e pela protecção do conjunto das operações aéreas no país. O ano ficou assinalado por duas evoluções estruturais de fundo — a criação de uma célula dedicada à cibersegurança e de outra vocacionada para as questões ambientais — e pelo arranque dos preparativos para a mudança de instalações rumo ao Skypark Business Center, prevista para o final de 2026. No plano internacional, o Grão-Ducado assumiu ao longo de todo o ano a presidência dos Estados do FABEC, o bloco funcional de espaço aéreo que reúne o Benelux, a Alemanha, a França e a Suíça.
Os números da segurança traduzem uma actividade em ligeiro crescimento. A base de dados nacional de ocorrências registou mais de 12.200 entradas, das quais 5.375 notificações iniciais e mais de 6.800 relatórios de seguimento, um aumento de cerca de 6% face a 2024. Registaram-se três acidentes em território luxemburguês, acompanhados no terreno por um representante da DAC. No aeroporto de Luxemburgo foram ainda realizadas 44 inspecções a 40 operadores estrangeiros, algumas acompanhadas de testes de alcoolemia inopinados às tripulações, efectuados pela Polícia Grã-Ducal no âmbito de controlos conjuntos com inspectores belgas e neerlandeses. A frota comercial continuou a expandir-se: oito companhias passaram a deter um certificado de operador aéreo, mais uma que no ano anterior, com a estreia da Sparfell Luxembourg, ao passo que o registo nacional de aeronaves passou a contar 297 aparelhos, sete a mais do que em 2024.
Foi, porém, no universo dos drones que a expansão se revelou mais expressiva. O sistema nacional contabiliza mais de 5.000 operadores inscritos e ultrapassou as 170.000 acções de formação desde a entrada em vigor do quadro europeu, tendo só em 2025 mais de 52.000 pilotos concluído a formação de base. O ano ficou igualmente marcado pela primeira autorização civil de voo além da linha de vista (BVLOS) e pela entrada em vigor, no final de dezembro, de uma nova lei e de um novo regulamento grão-ducal — diplomas que tornaram pagas parte das diligências efectuadas através do MyGuichet. Perante a complexidade das regras europeias, o Luxemburgo pediu à Comissão Europeia que clarifique e simplifique o enquadramento aplicável a estes aparelhos.
A vertente ambiental ganhou estrutura própria, com uma nova célula incumbida de coordenar a aplicação do regulamento ReFuelEU Aviation — que impõe aos operadores, a partir de 2025, uma taxa mínima de abastecimento de 90% em combustíveis sustentáveis — e de preparar o plano nacional de redução das emissões de CO₂. O Grão-Ducado aderiu ainda à «eSAF Early Movers Coalition», iniciativa destinada a acelerar a produção europeia de combustíveis de aviação de origem eléctrica, enquanto no domínio da cibersegurança a entrada progressiva do regime Part-IS conduziu à análise dos primeiros manuais de gestão da segurança da informação apresentados pelos operadores nacionais. A diplomacia aérea também esteve activa, com novos acordos assinados com o Benim e a Jamaica e memorandos de entendimento com as Baamas, a Arábia Saudita e Hong Kong, além da presença na 42.ª Assembleia da Organização da Aviação Civil Internacional, em Montreal. Renovada a certificação de qualidade ISO 9001, a autoridade prepara agora a auditoria de segurança da mesma organização, marcada para junho de 2026.


