Mais de uma em cada dez pensões atribuídas pelo regime de base do sector privado em França foram afectadas por erros financeiros ao longo de 2025, num agravamento de 0,6 pontos percentuais face ao ano anterior. Os dados constam de um relatório da Cour des Comptes, divulgado a 13 de Maio, que avalia anualmente a qualidade do processamento das prestações de reforma. A estimativa, embora resulte de uma sondagem por amostragem cujo universo não é especificado, assenta numa metodologia constante ao longo dos anos, permitindo comparações temporais fiáveis.
Os magistrados da rue Cambon, em Paris, alertam contudo para a necessidade de prudência na leitura destes números. A análise das séries históricas evidencia oscilações relevantes: em 2020, o índice de erro situava-se nos 16,4%, valor sensivelmente superior ao actual. Independentemente de favorecerem ou prejudicarem o segurado, estas falhas apresentam uma incidência financeira que poderá atingir 1,08% do total das prestações liquidadas em 2025, face aos 0,99% registados em 2024.
Num universo de cerca de 167 mil milhões de euros pagos no ano transacto, o relatório não esclarece se as situações de erro pesam mais contra do que a favor dos beneficiários. Os dados referentes a 2020 indicavam, todavia, que em três de cada quatro casos identificados o segurado saía desfavorecido e que, para metade desses pensionistas, a perda anual ultrapassava os 123 euros. A persistência destas discrepâncias compromete a confiança no sistema e tem implicações directas sobre o rendimento de milhares de reformados.
Quanto às causas subjacentes ao aumento verificado entre 2024 e 2025, o documento não avança explicações. Régis Mezzasalma, representante da CGT no conselho de administração da Caisse nationale d’assurance-vieillesse (CNAV), considera a subida um sinal de alerta sobre a qualidade do serviço prestado. Em sentido contrário, um especialista que pediu o anonimato defende que a variação deve ser encarada com cautela, classificando-a como ruído estatístico num contexto de actividade intensa, marcado por um número recorde de novas pensões processadas, o que sugere uma flutuação pontual sem expressão como tendência duradoura.


