O Governo do Luxemburgo aprovou um novo programa de formação de base para treinadores de capoeira. A medida insere-se no quadro regulamentar que rege a formação de quadros técnicos desportivos no país, administrado pela Escola Nacional de Educação Física e Desporto (ENEPS).
O programa segue uma estrutura modular que abrange a história e as filosofias da capoeira, as técnicas de movimentação, as práticas pedagógicas e o ensino inclusivo. Os formandos participarão em sessões teóricas e práticas concebidas para desenvolver a capacidade de liderança e a adaptação às diferentes dinâmicas de grupo, com particular ênfase na transmissão dos valores culturais que estão na base desta arte marcial de raiz afro-brasileira.
Uma das características centrais do novo programa é o estímulo à autonomia dos futuros treinadores, orientando a formação não apenas para a aquisição de competências técnicas, mas também para a construção de um perfil pedagógico sólido. As inscrições deverão abrir no próximo mês, com as formações a iniciarem-se na temporada seguinte.
O Luxemburgo conta já com um historial pioneiro neste domínio: a Capoeira Team Luxembourg colabora com a ENEPS desde a primeira edição da formação de treinadores de categoria C, realizada em março e abril de 2018, considerada única na história da capoeira na Europa. O novo regulamento ministerial representa uma actualização e aprofundamento desse percurso, reforçando o enquadramento legal da disciplina no sistema desportivo luxemburguês.
Reconhecida pela UNESCO em 2014 como Património Cultural Imaterial da Humanidade, a capoeira nasceu durante o período da escravatura no Brasil e tem as suas raízes nos combates e danças dos povos africanos, tendo sido praticada de forma secreta, dissimulada pelo canto e pelo movimento. No Luxemburgo, a prática da modalidade integra há vários anos projectos de inclusão social dirigidos a pessoas com deficiência ou em situações sociais complexas.
O regulamento convida as instituições desportivas e culturais do Grão-Ducado a colaborarem com o programa, nomeadamente através da organização de eventos que destaquem a capoeira junto das comunidades locais. Para a comunidade lusófona do país, que representa cerca de 180.000 pessoas, a iniciativa constitui um reconhecimento suplementar da herança cultural comum aos países de língua portuguesa.


