A oração pelos familiares falecidos deve ocupar um lugar mais importante do que os gestos simbólicos ou a simples inscrição dos seus nomes nas celebrações religiosas. Esta foi a principal mensagem transmitida durante a missa do Dia dos Fiéis Defuntos, celebrada a 2 de Novembro de 2026, em Timor-Leste. A homenagem aos que partiram não deve limitar-se a uma data no calendário. Deve permanecer viva, através da fé, da memória e da oração quotidiana.
A mensagem foi deixada pelo padre Agapito Alfredo Ximenes, da congregação salesiana, pároco da Igreja Dom Bosco de Laga, no município de Baucau, durante uma celebração na capela de São Sebastião Nunira. Segundo a agência noticiosa timorense Tatoli, o sacerdote explicou que o verdadeiro valor da homenagem aos falecidos não está em escrever os seus nomes num papel ou num envelope para serem lidos durante a missa, mas nas orações que os familiares lhes dedicam todos os dias. Recordou ainda que os pensamentos e os caminhos de Deus não são iguais aos dos homens, apelando aos fiéis para que reforcem a sua vida espiritual ao longo de Novembro, mês especialmente dedicado à memória dos defuntos.
A tradição católica em Timor-Leste continua profundamente ligada às manifestações de respeito pelos antepassados. Flores colocadas nas sepulturas, velas acesas e celebrações religiosas fazem parte dos costumes que aproximam as famílias da memória dos seus entes queridos. O padre Agapito Alfredo Ximenes evocou também uma das orações do terço, na qual os cristãos pedem a Jesus que conduza as almas ao Céu, especialmente aquelas que mais necessitam de oração. Para o sacerdote, estes gestos representam o amor e a solidariedade espiritual, mas não substituem a importância de rezar pelos falecidos, incluindo aqueles que já não têm familiares que os recordem nas suas preces.
A celebração do Dia dos Fiéis Defuntos, conhecida em Timor-Leste como Loron Finadu, reflecte a convivência entre a fé católica e as tradições culturais timorenses. O sacerdote defendeu que ambas devem continuar a ser respeitadas, lembrando que as missas, as orações, a veneração dos santos e os costumes familiares integram a vida religiosa das comunidades. Colocar flores numa sepultura constitui um sinal de carinho, mas rezar por quem já não tem ninguém que o faça assume, na perspectiva cristã apresentada durante a homilia, um significado particular de caridade. Uma mensagem simples, que atravessa gerações e mantém viva a ligação entre os timorenses e aqueles que já partiram.



