A defesa da soberania de Moçambique deve caminhar lado a lado com o desenvolvimento económico e social, garantindo não apenas a segurança das fronteiras, mas também melhores condições de vida à população. Esta foi a principal mensagem deixada pelo governador de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, durante a cerimónia de graduação na Academia Militar Marechal Samora Moisés Machel, onde prestou homenagem ao primeiro Presidente de Moçambique, no ano em que se assinalam quatro décadas da sua morte.
Segundo o jornal Ikweli, o governador destacou o significado histórico do mês de Outubro, particularmente associado à memória de Samora Machel e à luta pela independência nacional. Para Eduardo Abdula, recordar o antigo Presidente numa instituição militar que ostenta o seu nome representa uma oportunidade para reflectir sobre os valores e as responsabilidades transmitidos às novas gerações. Sublinhou que o legado de determinadas figuras históricas ultrapassa a sua existência física, permanecendo vivo nas instituições que ajudaram a construir. Recordou ainda a sua participação na academia no ano anterior, quando partilhou reflexões sobre estratégia e liderança, defendendo a importância de antecipar desafios, estabelecer prioridades e mobilizar recursos.
A segurança nacional ocupou um lugar central na intervenção. Eduardo Abdula defendeu que a preparação das Forças Armadas e a protecção territorial são indispensáveis, mas insuficientes quando não acompanhadas de investimentos na educação, saúde, agricultura e infra-estruturas. Na sua perspectiva, a estratégia militar e a estratégia de desenvolvimento complementam-se, uma vez que a estabilidade cria condições para o progresso, enquanto o crescimento económico e social contribui para uma segurança duradoura. Esta relação assume particular relevância no Norte de Moçambique. O governador apontou também as potencialidades da província de Nampula, destacando a população trabalhadora, a fertilidade dos solos, os recursos naturais e a localização estratégica. Advertiu, contudo, que essas vantagens precisam de ser acompanhadas por produção e infra-estruturas capazes de transformar a riqueza disponível em benefícios concretos para os cidadãos.
A responsabilidade de servir a população foi outro dos pontos destacados na cerimónia. Eduardo Mariamo Abdula aproximou a missão dos governantes da dos militares, considerando que, apesar das diferenças entre as respectivas funções, ambas devem colocar o povo moçambicano no centro das suas prioridades. A homenagem a Samora Machel terminou com um apelo à unidade nacional e ao compromisso colectivo com o futuro de Moçambique. Para o governador, a pátria não deve ser encarada apenas como uma herança histórica a preservar, mas como uma construção permanente que exige defesa, trabalho e participação de todos.



