O Luxemburgo vai acolher um novo escritório da Organização Mundial da Saúde (OMS) dedicado à inteligência artificial aplicada à saúde, depois de a sua candidatura ter sido escolhida em detrimento das propostas de Portugal e da Polónia. A decisão foi anunciada durante a 76.ª sessão do Comité Regional da OMS para a Europa, realizada entre 27 e 29 de Outubro de 2026, em Copenhaga. A futura estrutura ficará instalada no Grão-Ducado, mas dependerá do gabinete regional da organização, sediado na capital dinamarquesa.
A candidatura luxemburguesa foi coordenada pelo Ministério da Saúde e da Segurança Social, em colaboração com vários ministérios ligados à digitalização, investigação, ensino superior, economia e negócios estrangeiros. Segundo o Governo do Luxemburgo, a escolha reconhece as competências nacionais nas áreas da saúde, tecnologia e investigação científica. A ministra Martine Deprez saudou a decisão, defendendo que a inteligência artificial deve melhorar a qualidade e a segurança dos cuidados médicos, apoiar os profissionais de saúde e beneficiar os pacientes, garantindo a protecção dos seus direitos e dados pessoais.
O novo escritório da OMS terá como principal missão ajudar os países europeus a integrar ferramentas de inteligência artificial seguras, éticas e fiáveis nos respectivos sistemas de saúde. O trabalho incluirá a formação de profissionais, a identificação de boas práticas, o apoio às estratégias nacionais e o reforço da cooperação internacional, com especial atenção aos países que necessitam de maior apoio técnico. Para os hospitais e centros de investigação luxemburgueses, esta instalação abrirá novas oportunidades de participação em projectos científicos e redes internacionais, contribuindo para o desenvolvimento de soluções inovadoras na prestação de cuidados médicos.
A chegada da OMS reforçará ainda os investimentos do Luxemburgo na saúde digital, nomeadamente através do programa DigiSanté, que pretende melhorar a partilha segura de informações clínicas e a continuidade dos cuidados. O país conta já com estruturas como a Luxembourg AI Factory, o supercomputador MeluXina, o projecto MeluXina-AI, o Luxembourg National Data Service (LNDS), a Universidade do Luxemburgo e vários institutos públicos de investigação. A presença do novo escritório permitirá aproximar estas iniciativas das redes internacionais de investigação médica e inteligência artificial, mantendo a independência científica e institucional da OMS.



