A realização de grandes conferências nacionais fora de Maputo está a ganhar força como instrumento de descentralização em Moçambique, aproximando os centros de decisão das províncias e das necessidades das populações. A estratégia, promovida pelo Presidente da República, Daniel Chapo, foi destacada pelo governador de Nampula, Eduardo Mariano Abdula, durante a abertura da Conferência sobre Adição de Valor aos Recursos Minerais e Energéticos Disponíveis (CAVAME-d), na cidade de Nacala. Segundo o jornal Ikweli, o governante considera que a organização destes encontros fora da capital representa um sinal concreto da vontade de distribuir oportunidades de desenvolvimento pelo território nacional.
O crescente protagonismo de Nampula na organização de eventos nacionais foi igualmente sublinhado por Eduardo Abdula, que vê nesta dinâmica uma oportunidade para fortalecer a economia provincial e demonstrar a capacidade da região para acolher iniciativas de dimensão internacional. O governador defendeu que a confiança depositada na província deve traduzir-se em resultados, através da promoção do investimento, do debate sobre os grandes desafios nacionais e da criação de novas oportunidades económicas. A escolha de Nacala não foi casual. A cidade beneficia de uma localização estratégica, próxima de importantes zonas de exploração mineira e da província de Cabo Delgado, dispondo ainda de infra-estruturas logísticas que servem o Norte de Moçambique e vários países do interior do continente africano.
O porto de águas profundas de Nacala assume particular importância nesta estratégia. Considerado uma plataforma essencial para o transporte e a comercialização de mercadorias, poderá desempenhar um papel ainda mais relevante no escoamento e na transformação dos recursos minerais moçambicanos. Eduardo Abdula pretende que a cidade deixe de ser apenas um ponto de passagem de matérias-primas e se afirme também como um centro de actividade industrial e comercial ligado ao sector mineiro. A realização da CAVAME-d surge, assim, como uma oportunidade para discutir o aproveitamento económico dos recursos naturais e reforçar a posição de Nampula no desenvolvimento do país.
A riqueza mineral, contudo, só terá verdadeiro valor se melhorar a vida das comunidades. Esta foi uma das principais mensagens transmitidas pelo governador, que defendeu a transformação dos recursos naturais em empresas, indústrias, postos de trabalho e melhores rendimentos para as famílias moçambicanas. A exploração do subsolo deve gerar prosperidade à superfície, insistiu Eduardo Abdula, associando a descentralização política à necessidade de criar benefícios económicos concretos nas províncias. De acordo com o Ikweli, esta visão coloca Nacala e Nampula no centro de uma estratégia que procura transformar o potencial mineiro em desenvolvimento sustentável e oportunidades para a população.



