Uma fraude bancária superior a 400 mil euros levou a comuna de Differdange a reforçar os seus procedimentos internos de segurança e a esclarecer publicamente as circunstâncias em que o dinheiro foi transferido para uma conta controlada por criminosos. O caso ocorreu em Maio de 2026, mas só foi divulgado a 30 de Setembro. A administração comunal reconhece agora que a população e as autoridades deveriam ter sido informadas mais cedo e admite erros nas primeiras informações divulgadas.
Segundo a Câmara de Differdange, tudo começou a 20 de Abril, quando recebeu uma factura de 400 mil euros relativa a obras de construção efectivamente realizadas. Nos dias 4 e 5 de Maio, o gabinete de arquitectos responsável pelo acompanhamento do projecto confirmou a validade da factura e autorizou o pagamento. A 7 de Maio, porém, criminosos que tinham conseguido controlar a caixa de correio electrónico do gabinete começaram a enviar mensagens fraudulentas, fazendo-se passar também por representantes da empresa de construção. O objectivo era alterar os dados bancários para onde seria transferido o dinheiro.
Apesar de os serviços municipais terem solicitado um documento oficial comprovativo da alteração e uma confirmação do gabinete de arquitectos, ambas as verificações foram manipuladas pelos burlões. A 13 de Maio, os 400 mil euros foram transferidos para uma conta bancária nos Países Baixos. A fraude foi descoberta a 19 de Maio, dois dias úteis depois, pelo Serviço de Receitas da comuna. Nesse mesmo dia, Differdange contactou os bancos envolvidos e apresentou queixa à Polícia Grã-Ducal, mas o dinheiro já tinha sido transferido para outra conta. O gabinete de arquitectos foi igualmente alertado e descobriu que os seus sistemas informáticos tinham sido comprometidos.
A comuna esclarece que cumpriu as suas obrigações legais ao contactar imediatamente as autoridades judiciais e bancárias. Contudo, o colégio de burgomestre e vereadores reconhece que a comunicação pública foi tardia. A prioridade inicial foi tentar recuperar os fundos e preservar a investigação. A administração constituiu-se parte civil no processo, reforçou os mecanismos de controlo das transferências bancárias e sensibilizou os diferentes serviços para os riscos de fraude informática e phishing.
O burgomestre Guy Altmeisch lamentou a forma como o caso foi comunicado. Segundo o autarca, os funcionários efectuaram várias verificações antes de autorizarem o pagamento e identificaram a fraude rapidamente, mas estavam perante criminosos que controlavam as comunicações de um parceiro de confiança. Altmeisch reconheceu, ainda assim, que a informação chegou demasiado tarde ao Ministério do Interior, ao conselho comunal e à população, além de conter erros nas datas inicialmente divulgadas. A investigação prossegue em colaboração com a Polícia Grã-Ducal e o Ministério Público, não havendo, até ao momento, confirmação da recuperação do dinheiro.



