Um novo concurso de música ao vivo arranca no Luxemburgo a 10 de Outubro, reunindo mais de 20 participantes numa competição que se prolongará até Dezembro. O “Palco de Vozes” é a primeira iniciativa do projecto Gerasons e nasce com a ambição de descobrir talentos, aproximar diferentes comunidades através da música e criar um palco aberto a intérpretes de várias nacionalidades.
A primeira eliminatória realiza-se no Restaurante Picante, no Luxemburgo, com quatro candidatos: Gonsalo Ribeiro, Djamy Spencer, Osvaldino Almeida e Pedro Santos. Em cada sessão, os concorrentes actuam ao vivo e dois seguem em frente na competição. Não existem restrições quanto à língua escolhida para cantar. A única condição estabelecida para esta edição é a idade mínima de 18 anos.

O calendário divulgado pela organização prevê eliminatórias a 10, 24 e 31 de Outubro e a 7, 14 e 21 de Novembro. Seguem-se duas meias-finais, marcadas para 28 de Novembro e 6 de Dezembro, antes da grande final, prevista para 12 de Dezembro. A organização admite, contudo, que poderá ser necessário encontrar um espaço maior para as fases decisivas, perante a adesão registada desde o anúncio da iniciativa.
As inscrições estão encerradas. Segundo Fátima Lima, uma das responsáveis pelo Gerasons, houve mesmo interessados que ficaram em lista de espera. A rapidez da resposta surpreendeu os próprios promotores: o concurso foi montado praticamente num mês. “A casa vai ficar pequena”, antecipa Fátima Lima, referindo-se à primeira eliminatória e ao entusiasmo que tem acompanhado a preparação.

Entre os concorrentes encontram-se residentes no Luxemburgo de diferentes origens, com uma presença significativa da comunidade cabo-verdiana, mas também participantes portugueses e pessoas provenientes de França e da Bélgica. O projecto não pretende ficar circunscrito a uma comunidade. “A música é música”, resume Fátima Lima, defendendo um palco sem barreiras linguísticas e onde a voz funciona como ponto de encontro.
O “Palco de Vozes” terá três grandes momentos competitivos — eliminatórias, meias-finais e final — e cada candidato canta duas músicas, acompanhado por banda e integralmente ao vivo. Para o vencedor está anunciada uma viagem de ida e volta a Cabo Verde, além de um troféu e outras surpresas. As inscrições para participar no concurso foram gratuitas, enquanto a organização anuncia uma taxa de entrada de 10 euros para o público, com um copo de boas-vindas.
A ideia partiu de Fátima Lima, cabo-verdiana natural de Santo Antão, que conta com experiência ligada à música, às artes e ao agenciamento artístico em Cabo Verde. Durante a sua passagem pelo Luxemburgo, percebeu que havia espaço para uma iniciativa desta natureza e avançou com o projecto juntamente com Djamilo Spencer Gomes. A intenção inicial era simples: encontrar pessoas que gostam de cantar e dar-lhes condições para mostrarem o que sabem fazer.
O Gerações, porém, deverá ir além deste concurso. Fátima Lima explica que estão a ser delineadas outras iniciativas ligadas à voz, à música, aos ritmos e à descoberta de talentos, embora os próximos passos ainda não tenham sido anunciados. A forte procura pelo “Palco de Vozes” já alimenta a possibilidade de uma segunda edição, ainda sem datas, e a organização recebeu igualmente um convite para levar futuramente o conceito a Paris.

A ligação de Fátima Lima ao meio artístico vem também de Cabo Verde. Em Santo Antão, está associada ao projecto Divin’Art, na Ribeira Grande, que cruza gastronomia, alojamento, arte e cultura. No Luxemburgo, mantém igualmente actividade nas artes manuais, com pinturas e trabalhos feitos à mão. A música, contudo, continua no centro. É precisamente essa experiência que agora procura transportar para o Gerações, num concurso criado para pôr novas vozes diante do público.
A primeira eliminatória de 10 de Outubro será, assim, o teste decisivo para um projecto que começou depressa e encontrou candidatos ainda mais depressa. O objectivo dos organizadores é transformar essa procura num espaço regular de intercâmbio cultural e musical, aproveitando a diversidade existente no Luxemburgo e a proximidade entre as várias comunidades residentes no país.



