A vantagem de Flávio Bolsonaro no primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras e o forte crescimento do Partido Liberal (PL) no Congresso alteraram o equilíbrio político no Brasil, deixando Luiz Inácio Lula da Silva perante a mais difícil disputa presidencial da sua carreira. Apenas 2,2 milhões de votos separaram os dois candidatos, num resultado mais apertado do que indicavam as sondagens e que levou Flávio Bolsonaro ao primeiro lugar. A decisão fica agora para 25 de Outubro, data do segundo turno, segundo a BBC News Brasil.
Entre os vencedores está Jair Bolsonaro. Apesar de estar preso e inelegível, o antigo Presidente viu consolidar-se a candidatura do filho, que apoiou desde o início, enquanto outros membros da família também conquistaram lugares importantes: Carlos Bolsonaro foi eleito senador por Santa Catarina, Michelle Bolsonaro pelo Distrito Federal e Jair Renan deputado federal por Santa Catarina. O PL conseguiu ainda eleger 19 senadores e passa a contar com 28 representantes na câmara alta, além de poder conservar a maior bancada na Câmara dos Deputados. Lucas Pavanato, por São Paulo, e Nikolas Ferreira, por Minas Gerais, ultrapassaram cada um três milhões de votos, um feito inédito nas eleições para a Câmara.
O resultado deixou Lula e o PT numa posição bem mais delicada. Pela primeira vez desde que chegou à Presidência, em 2002, Lula terminou um primeiro turno presidencial no segundo lugar. Nem medidas anunciadas nas vésperas da votação, entre elas o reajuste do Bolsa Família, conseguiram produzir o impulso esperado. O Nordeste continuou a ser o principal bastião eleitoral petista e foi a única região onde Lula ficou à frente, enquanto Rafael Fonteles, no Piauí, Elmano Freitas, no Ceará, e Jerónimo Rodrigues, na Bahia, asseguraram vitórias importantes para o partido nas eleições estaduais.
A votação também fragilizou o PSD de Gilberto Kassab e aumentou a pressão política sobre o Supremo Tribunal Federal. Segundo os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, o avanço do PL no Senado, onde várias candidaturas fizeram campanha contra o Supremo, poderá intensificar o confronto institucional, embora uma eventual destituição de ministros continue longe de ser simples. O novo peso parlamentar da direita deverá, assim, marcar não apenas a campanha até 25 de Outubro, mas também a futura relação de forças no Congresso brasileiro.



