Um concerto integralmente dedicado ao reggae vai marcar o regresso de Legalize a um espectáculo individual, com o músico e compositor a preparar para domingo uma actuação no Prova D’Art centrada no disco “Deus Vive”, lançado em 2003. Segundo o Expansão, será o primeiro concerto a solo do artista este ano e terá um repertório 100% reggae, juntando temas próprios a versões de nomes internacionais e clássicos da música angolana.
Os ensaios decorrem com uma banda formada por T.D., como solista, Gilson Bessa na guitarra, Mias Galheta no baixo, Mancho na guitarra eléctrica, Zuma na bateria e Buxo nas congas. Joelma e Wilker Neto, filho de Legalize, asseguram o coro. Além das canções de “Deus Vive”, o espectáculo deverá recuperar temas associados a Bob Marley, Peter Tosh e Alpha Blondy, bem como músicas de Artur Adriano e Luís Visconde, reinterpretadas em reggae. O artista, que ao longo do ano participou em vários eventos, considera esta actuação um momento de renovação na sua carreira.
Embora mantenha no repertório géneros como semba, rumba e kizomba, Legalize vê no reggae uma parte essencial da sua identidade artística e uma linguagem capaz de levar a música angolana além-fronteiras. Ao Expansão, defendeu que África não deve ser associada apenas ao reggae jamaicano e pretende mostrar que Angola também pode desenvolver uma expressão própria dentro do género. Justiça, igualdade, solidariedade e atenção aos mais desfavorecidos estão entre os valores que associa à cultura reggae e àquilo que entende ser a verdadeira essência do movimento rastafári.
Essa dimensão social atravessa igualmente as suas letras. Problemas como a falta de água e energia, o estado das estradas e a responsabilidade dos governantes e dos jovens fazem parte das preocupações que Legalize procura transportar para a música, sem limitar essa mensagem ao reggae. Semba, kizomba e outras sonoridades também podem servir para retratar as dificuldades da sociedade angolana. Para o músico, porém, o reggae conserva uma ligação particularmente forte às raízes africanas e à defesa da justiça, tornando-se simultaneamente expressão artística e forma de intervenção social.



