Em Brandenbourg, na comuna de Tandel, as crianças podem começar uma oficina com as mãos na terra e terminá-la à volta de uma mesa. No jardim da École du Goût, descobrem o que está pronto a colher; na cozinha, preparam os ingredientes e provam o resultado. Durante uma visita do Lëtzebuerg Hoje, Laurent Baulesch, Project Manager da École du Goût, mostrou como esta proximidade entre os dois espaços permite acompanhar, sem atalhos, o caminho dos alimentos do campo até ao prato.
A história do projecto começou em 2007, por iniciativa de Luc Jacobs, então conselheiro agrícola do Parque Natural do Our. A inspiração veio das Classes du Goût, criadas em França por Jacques Puisais, mas o conceito foi sendo adaptado aos produtos e às tradições do Luxemburgo. Desde 2018, a École du Goût reúne os três parques naturais do país — Our, Öewersauer e Mëllerdall — e leva as suas actividades a escolas de todo o território. O espaço de Brandenbourg, concluído em 2023, permite agora receber também turmas e outros grupos no próprio local.
Ao longo da visita guiada, Laurent Baulesch descreveu um calendário que ronda os 110 eventos por ano. Há oficinas para crianças, actividades abertas a adultos e formação destinada a profissionais responsáveis pela preparação de refeições em instituições. O trabalho procura igualmente envolver produtores e agricultores da região. Uma das ideias transmitidas durante as actividades passa precisamente por respeitar o calendário da natureza: se um alimento cresce numa determinada época, não faz sentido ensinar às crianças que está sempre disponível. Em Setembro, maçãs, peras e cogumelos abrem várias possibilidades; no Inverno, cozinhar com produtos da estação obriga a outras escolhas.
A escola não se limita, por isso, a ensinar receitas. Nas provas e oficinas, os participantes são convidados a cheirar, tocar e descrever aquilo que comem, a experimentar sabores desconhecidos e a pensar na origem dos ingredientes. Há também uma vontade clara de aproximar quem produz, quem cozinha e quem consome. «Quando cozinhamos, também comemos», explicou Laurent Baulesch ao Lëtzebuerg Hoje. As aulas abertas ao público são divulgadas na agenda da École du Goût, onde os interessados podem consultar as actividades previstas e efectuar a inscrição.
Há ainda uma ligação portuguesa neste percurso. A École du Goût participa no projecto europeu FLAVOR, dedicado ao papel da cultura alimentar no desenvolvimento das zonas rurais. Segundo a informação facultada ao Lëtzebuerg Hoje, o parceiro açoriano é o Governo Regional dos Açores; do lado luxemburguês participa o Parque Natural do Our, em representação da escola. A iniciativa reúne entidades de vários países para partilhar experiências em torno dos produtos regionais, das tradições culinárias e das políticas alimentares. A própria École du Goût refere que o primeiro encontro entre os parceiros decorreu na Áustria, em 2025.
Na conversa em Brandenbourg surgiu também a possibilidade de prolongar essa ponte portuguesa dentro do Luxemburgo. O Lëtzebuerg Hoje sugeriu a Laurent Baulesch um contacto com a Confraria da Sardinha no Luxemburgo, sediada em Junglinster, para explorar uma eventual oficina capaz de juntar a tradição gastronómica portuguesa aos produtos locais da época. O Project Manager da École du Goût recebeu a ideia com interesse, embora nenhuma colaboração tenha ficado acordada. Fica aberta uma possibilidade para o futuro: levar a sardinha portuguesa à mesa e fazê-la dialogar com os sabores e produtos dos parques naturais luxemburgueses.



