A defesa da solução de dois Estados para o conflito israelo-palestiniano, o reforço da cooperação entre países vulneráveis e a reforma das instituições multilaterais marcaram a agenda diplomática de Timor-Leste durante a Semana de Alto Nível da 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas. A delegação timorense concentrou ainda as intervenções nos desafios climáticos, no desenvolvimento económico e na necessidade de uma representação mais equilibrada dos países em desenvolvimento.
Na Reunião Ministerial de Alto Nível da Aliança Global para a Implementação da Solução de Dois Estados o ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Bendito Freitas, reiterou o compromisso de Timor-Leste com o direito do povo palestiniano à autodeterminação. Segundo o Governo de Timor-Leste, o governante defendeu a criação de um Estado palestiniano viável, capaz de coexistir em paz e segurança ao lado de Israel, insistindo na protecção dos civis, no acesso à ajuda humanitária e no respeito pelo direito internacional. Uma paz duradoura, sustentou, terá de assegurar direitos e dignidade tanto aos palestinianos como aos israelitas.
A estabilidade dos Estados frágeis esteve também no centro da Cimeira de Alto Nível do g7+. Bendito Freitas apresentou três prioridades: a criação de um mecanismo de intercâmbio entre países destinado ao diálogo e à mediação, o reforço do Centro Consultivo de Resposta Rápida e um melhor aproveitamento da presença diplomática do g7+ nos fóruns multilaterais. Na Reunião Ministerial Anual dos Países Menos Desenvolvidos, chamou ainda a atenção para as dificuldades financeiras e para o impacto das alterações climáticas, destacando os investimentos timorenses na saúde e educação, bem como a instalação de um cabo submarino internacional de fibra óptica para melhorar a conectividade e apoiar a diversificação económica.
A passagem por Nova Iorque incluiu igualmente contactos bilaterais. Bendito Freitas reuniu-se com o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, para analisar as relações entre os dois países e a coordenação no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Entre os temas abordados esteve o próximo mandato de Portugal no Conselho de Segurança das Nações Unidas, com início em Janeiro de 2027. O chefe da diplomacia timorense manteve ainda encontros com outras delegações, entre elas a do Liechtenstein, com a qual discutiu a importância do direito internacional e das instituições multilaterais para a defesa dos pequenos Estados.
A agenda deu continuidade aos contactos iniciados nos primeiros dias da semana, incluindo a participação de Bendito Freitas na Cimeira dos Parceiros para o Multilateralismo e em debates ministeriais sobre o Direito do Mar. O ministro esteve em Nova Iorque nos dias 23 e 24 de Setembro e acompanhou o Presidente da República, José Ramos-Horta, durante a apresentação da declaração nacional de Timor-Leste perante a Assembleia Geral.
No discurso, José Ramos-Horta reafirmou o apoio à solução de dois Estados como caminho para uma coexistência pacífica entre israelitas e palestinianos. O Presidente timorense defendeu também uma reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas que assegure maior representação aos países em desenvolvimento e destacou a justiça climática e o apoio à adaptação dos Estados mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas.
A inteligência artificial entrou igualmente na intervenção presidencial. Ramos-Horta defendeu uma participação activa dos países em desenvolvimento na governação destas tecnologias e reafirmou o compromisso de Timor-Leste com a construção de uma ASEAN unida e centrada nas pessoas. As posições e actividades diplomáticas foram divulgadas pelo Governo de Timor-Leste.



