A sustentabilidade do serviço eléctrico em Angola depende de receitas capazes de cobrir os custos eficientes de operação, manutenção e expansão das infra-estruturas, num equilíbrio que permita continuar a investir sem comprometer a protecção dos consumidores. A posição foi defendida por José Quarta, administrador do Instituto Regulador do Sector Eléctrico de Angola (IRSEA), no encerramento de um recente fórum, segundo o jornal Expansão.
O ajuste parcial das tarifas aprovado em Agosto para o ciclo 2025-2028 insere-se nesta procura de equilíbrio financeiro. A alteração abrange exclusivamente os consumidores de Média e Alta Tensão, incluindo os Grandes Clientes, enquanto permanecem inalteradas as tarifas aplicadas às categorias residenciais Social, Doméstica Monofásica e Doméstica Trifásica. José Quarta defendeu que a sustentabilidade financeira é indispensável à regulação do sector, mas frisou igualmente que uma boa regulação exige protecção do consumidor.
As energias renováveis surgem também como uma peça central para o futuro do sector eléctrico angolano. De acordo com o responsável do IRSEA, o potencial hídrico e solar de Angola representa não apenas uma oportunidade ambiental, mas também económica. O desafio passa agora por encontrar soluções eficientes, seguras e financeiramente sustentáveis, capazes de acompanhar as necessidades de desenvolvimento e electrificação do país.
Nas regiões onde prolongar a rede eléctrica convencional é demasiado caro ou demorado, as mini-redes, os sistemas solares e o armazenamento de energia apresentam-se como alternativas para acelerar o acesso à electricidade. Estas soluções descentralizadas poderão contribuir para alargar a cobertura do serviço e tornar o fornecimento de energia mais inclusivo e acessível, ao mesmo tempo que Angola procura assegurar condições financeiras para manter e expandir as suas infra-estruturas eléctricas, segundo o Expansão.



