As tradições religiosas nascidas e transformadas pela diáspora africana são o ponto de partida de «Feitiçaria: As tradicionais religiões da diáspora africana», novo livro de Thiago Galenbeck dedicado ao Hoodoo, Vodu e a diferentes manifestações da religiosidade popular. Segundo a Absolute Rio, a obra procura retirar estas práticas do simples território do mistério, enquadrando-as nos percursos históricos, culturais e espirituais que permitiram a sua sobrevivência ao longo de gerações.
O livro atravessa o Hoodoo Rootwork e Conjure afro-americano, o Voodoo de Nova Orleães, o Vodou haitiano, a Santería e a Obeah, relacionando o desenvolvimento destas tradições com os deslocamentos forçados provocados pelo tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. Nesse percurso entre África, Américas e Europa, Galenbeck aborda os encontros entre crenças africanas, cristianismo e outras influências culturais, passando por Loás, Orixás, santos, salmos, óleos, pós, lavagens, gris-gris, talismãs, mojos e velas. Marie Laveau, figura marcante da cultura religiosa de Nova Orleães no século XIX, surge igualmente entre as referências históricas utilizadas pelo autor.
A memória ocupa um lugar central. A publicação apresenta o Hoodoo não apenas enquanto prática de magia popular afro-americana, mas também através da sua ligação à terra, à ancestralidade, à cultura negra e às comunidades que conservaram esses conhecimentos. O trabalho estabelece ainda pontes com o ocultismo europeu, a Nova Era e o neopaganismo, dirigindo-se tanto a leitores familiarizados com o esoterismo como a quem se interessa por história, antropologia, cultura popular e religiões afro-americanas. «Afinal, a leitura também é um exorcismo», escreve Galenbeck numa das frases destacadas pela Absolute Rio.
Escritor e jornalista ligado ao turismo e às relações internacionais, Thiago Galenbeck desenvolve investigação sobre cultura popular, religiões, espiritualismo e ocultismo. É autor de trabalhos sobre história, folclore e cultura brasileira, incluindo biografias de Celly Campello, Luz del Fuego e Elvira Pagã, e tem estudado a presença negra na formação da identidade brasileira e as religiões afro-ameríndias. O autor é ainda descendente directo de Guilherme M. Galembeck, fundador, em 1926, da Federação Espírita do Estado de São Paulo. Com este novo título, propõe uma aproximação às tradições que durante muito tempo permaneceram envolvidas em desconhecimento ou mistério, privilegiando o conhecimento histórico em vez da exigência de crença.



