O combate à criminalidade organizada entre Moçambique e Angola será reforçado através da troca de informações operativas, de novas acções de formação e de uma cooperação mais estreita entre as estruturas policiais dos dois países. A agenda prevê ainda a indicação mútua de adidos de polícia até 2027 e o alargamento da partilha de conhecimentos aos crimes cibernéticos e ambientais, à segurança rodoviária e ao policiamento comunitário. Segundo o jornal O País, serão também concedidas, a partir de 2027, bolsas de estudo para a formação contínua de agentes na Academia de Ciências Policiais (ACIPOL) e em instituições policiais angolanas.
A aproximação foi destacada por Chachine e pelo seu homólogo angolano, Manuel Gomes, como uma nova etapa da cooperação histórica entre Moçambique e Angola. Gomes salientou o trabalho desenvolvido pelas equipas de peritos dos dois países, cujos diagnósticos permitiram identificar com maior precisão os desafios enfrentados pelas respectivas instituições. Esse levantamento deverá servir de base à definição de programas de prevenção e combate ao crime mais ajustados às necessidades de Maputo e Luanda.
A cooperação estende-se também à mobilidade. Durante o encontro, as duas delegações assinaram um acordo bilateral de Cooperação no domínio Migratório, destinado a tornar a circulação de pessoas mais segura e eficiente e a reduzir procedimentos burocráticos. De acordo com a comunicação social moçambicana, Chachine considera que o instrumento permitirá promover uma mobilidade digna e segura, reforçar as relações comerciais, culturais e académicas e modernizar os procedimentos migratórios. A partilha de dados e uma maior coordenação entre os serviços dos dois países deverão igualmente apoiar o combate à migração ilegal e ao tráfico de seres humanos.
Manuel Gomes manifestou confiança nos benefícios do acordo para a gestão dos fluxos migratórios e para o combate ao crime transnacional, defendendo uma actuação conjunta perante os actuais desafios de segurança na África Austral, em consonância com os objectivos da SADC e da União Africana. O responsável angolano convidou ainda Chachine para uma visita oficial a Angola. O convite foi aceite, embora não tenham sido anunciadas datas.



