Uma vitória sobre a Hungria pode abrir à selecção luxemburguesa de ténis o caminho para os grandes palcos da Taça Davis. O desafio disputa-se hoje e amanhã, no d’Coque, em Kirchberg, onde a equipa da SEAT Luxembourg recebe um conjunto húngaro de gabarito mundial. Em jogo está bem mais do que o orgulho. Quem vencer sobe um degrau na competição mais antiga do ténis por nações.
O court coberto do Coque transforma-se num campo de batalha. À frente da representação anfitriã estão Chris Rodesch e Alex Knaff, este último a competir no derradeiro torneio da carreira profissional — uma despedida com sabor a acontecimento. A escolha do palco não foi deixada ao acaso; foi, na verdade, entregue à sorte. Pelas regras da prova, o país anfitrião alterna consoante os confrontos anteriores entre as duas selecções. Como Luxemburgo e Hungria chegaram a esta ronda com um historial empatado, dois triunfos para cada lado, o direito a receber acabou decidido por sorteio. A federação luxemburguesa de ténis ganhou esse sorteio e, com ele, a vantagem de definir o recinto, a superfície — piso rápido em pavilhão coberto — e de actuar diante do público da casa.
O que se passa em Kirchberg está longe de ser um caso isolado. De acordo com a organização da Taça Davis, cinquenta e duas nações medem forças em simultâneo, um pouco por todo o planeta, num dos fins-de-semana mais preenchidos do calendário. No mesmo formato de eliminatória directa, o Brasil recebe a Suíça no Rio de Janeiro e o Canadá defronta a França na Cidade de Quebec. Na Europa, a Sérvia cruza-se com a Lituânia, a Grã-Bretanha acolhe o Equador e a Dinamarca mede-se com a Bulgária. Mais a oriente, a Austrália recebe a Polónia, enquanto a Coreia do Sul enfrenta a Índia, em Seul.
Para o adepto ocasional, a Taça Davis resume-se ao Final 8, o espectáculo a eliminar disputado no fecho da temporada, em que as melhores selecções erguem o troféu. A realidade é bem mais vasta. Chegar a essa fase exige sobreviver a uma pirâmide global de eliminatórias. No topo estão as finais e os play-offs de qualificação, onde competem os países mais bem classificados do ranking. Um degrau abaixo situa-se o Grupo Mundial I — o escalão em que Luxemburgo e Hungria se encontram e onde se decide a possibilidade de subida na época seguinte. Por baixo ficam o Grupo Mundial II e os grupos regionais, reservados às selecções que ainda procuram trepar na hierarquia.
O destino último da prova tem morada marcada. A fase final de 2026 realiza-se de 24 a 29 de novembro, em Bolonha, Itália. Apenas oito selecções lá chegarão. A anfitriã Itália, tricampeã em título, já assegurou presença de forma automática e parte para o torneio nos seus pisos rápidos cobertos como candidata a bater. Os restantes sete lugares deverão sair dos apuramentos deste fim-de-semana, onde os favoritos procuram carimbar o passaporte para a cidade italiana.
Entre esses candidatos contam-se os Estados Unidos, sustentados por figuras de peso como Ben Shelton, e a Alemanha, com o campeão do US Open Alexander Zverev a ancorar o conjunto. A Grã-Bretanha apresenta-se igualmente como favorita, com Arthur Fery, número um britânico, e uma dupla de pares de alto nível. A Espanha, essa, aposta numa vaga de jovens promessas, com Rafael Jodar à cabeça.
Para os anfitriões luxemburgueses, o d’Coque não é apenas um palco de fim-de-semana. É uma porta. Se derrotar a Hungria, Luxemburgo conquista o direito a disputar a fase de qualificação principal na próxima temporada — um passo, ainda distante mas concreto, rumo à companhia dos gigantes em Bolonha.


