A gestão das infra-estruturas dedicadas aos terminais de cabotagem marítima vai passar para operadores privados. O Governo prepara uma concessão para o efeito, com a expectativa de gerar um impacto positivo na logística nacional, sobretudo pela redução dos custos de transporte de mercadorias. Trata-se de uma peça de uma estratégia bem mais ampla, pensada para tirar carga das estradas e colocá-la no mar. A cabotagem, recorde-se, já deu provas concretas.
Desde Abril de 2025, a transferência de mercadorias da estrada para o mar equivale a cerca de 14 mil camiões que deixaram de circular pela EN1, a principal via do país. A operação arrancou com duas embarcações. Conta hoje com oito navios a ligar diferentes pontos da costa. Foram ainda anunciados terminais próprios para esta actividade em Inhambane, Quelimane, Beira e Nacala — infra-estruturas que agora entram na lógica da gestão privada.
O objectivo da concessão é assegurar prioridade no acesso aos portos, previsibilidade nas operações e uma melhor articulação entre os transportes marítimo, rodoviário e ferroviário. A visão foi apresentada pelo ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, durante a FACIM 2026, e insere-se no plano do Executivo para converter os corredores logísticos numa fonte de receitas. Segundo o Jornal Notícias, o Governo de Moçambique aposta na posição geográfica do território e na extensão da costa para captar uma fatia maior do comércio regional.
Fica, porém, um obstáculo por vencer: a carga de retorno. Na fase inicial, os navios seguiam carregados para o Norte e regressavam quase vazios, o que empurra os custos para cima e ameaça a viabilidade das rotas. “Hoje temos carga de retorno”, garantiu Matlombe, sinalizando uma inversão da tendência. Sem volumes regulares nos dois sentidos, o peso da capacidade ociosa acaba, mais cedo ou mais tarde, nas tarifas pagas pelos clientes.


