Uma etapa intermédia entre a alta hospitalar e o regresso a casa passa a estar ao dispor dos idosos cujo estado de saúde já estabilizou, mas que ainda não reúnem condições para voltar ao seu domicílio. O dispositivo chama-se «Out of Hospital» e arranca como projecto-piloto. Destina-se a quem, depois de um internamento, precisa de tempo para recuperar autonomia ou para definir a solução de alojamento mais adequada. A ideia é simples. Oferecer um ambiente seguro e acompanhado, dentro de estruturas de acolhimento para pessoas idosas, que prepare o regresso a casa ou, se for esse o caso, a entrada numa instituição.
As primeiras 36 unidades, de acordo com o Governo do Luxemburgo, ficam distribuídas por quatro estabelecimentos em todo o país e recebem os primeiros beneficiários a partir de 1 de outubro. Até ao momento, sete gestores de estruturas de acolhimento apresentaram nove candidaturas, num total de 66 camas — e outras poderão juntar-se ao longo do projecto. A permanência está limitada a oito semanas, prazo prolongável até doze mediante justificação. Cada estrutura participante fica obrigada a dispor de uma unidade dedicada, com um mínimo de seis camas, e a celebrar uma convenção de cooperação com um hospital, de modo a assegurar a continuidade do acompanhamento médico.
«Uma hospitalização pode constituir uma verdadeira ruptura na vida de uma pessoa idosa. É, por isso, essencial oferecer-lhe o tempo e os meios para preparar as próximas etapas, sem pressão e num quadro adaptado», afirmou Max Hahn, ministro da Família, das Solidariedades, do Viver Junto e do Acolhimento, que aponta como propósito permitir decisões esclarecidas sobre o futuro de cada utente. Do lado da Saúde, a tónica é a continuidade dos cuidados. «A saúde não termina à porta do hospital», resumiu Martine Deprez, ministra da Saúde e da Segurança Social. «A nossa responsabilidade é garantir a cada doente uma continuidade real do acompanhamento, mesmo quando o internamento já não é necessário mas o regresso a casa ainda não é possível», acrescentou, defendendo um sistema mais integrado, mais flexível e organizado em torno das necessidades do doente.
O projecto quer melhorar o percurso dos idosos após um internamento, reduzir reinternamentos evitáveis, facilitar admissões mais bem preparadas nas estruturas de acolhimento e reforçar a articulação entre os sectores hospitalar, médico-social e dos cuidados ao domicílio. O financiamento, assegurado pelo ministério da Família, ascende a 3,2 milhões de euros por ano entre 2026 e 2029. Um comité de pilotagem interinstitucional acompanha a execução, com indicadores próprios para avaliar as necessidades reais, o perfil dos beneficiários e a relação entre custos e benefícios do modelo. A fase-piloto decorre até 2029 e será objecto de uma avaliação final, que dirá se a experiência compensa e merece continuidade.


