A ajuda a mais de 800 famílias vulneráveis na Guiné-Conacri ganha forma concreta numa campanha solidária que decorre de 10 a 26 de Setembro. Nos hipermercados Auchan do Luxemburgo, os clientes podem doar os euros acumulados no cartão de fidelidade, arredondar o valor das compras ou adquirir um produto solidário na secção de material escolar. Nos centros comerciais de Kirchberg, da Cloche d’Or e de Opkorn, em Differdange, caixas de donativos colocadas junto às registradoras recolhem donativos. É a 19.ª edição de uma parceria entre a SOS Villages d’Enfants Monde e a Auchan Luxembourg.
O dinheiro reunido não se destina a assistência pontual. Serve para dar às famílias da Guiné-Conacri os meios de gerar o próprio rendimento — capital inicial para lançar um pequeno negócio, formação em gestão financeira, acompanhamento no terreno. A lógica mudou ao longo das décadas. Onde antes se institucionalizavam crianças, hoje aposta-se em reforçar os pais, manter os irmãos juntos e evitar separações. As famílias visadas espalham-se por nove comunas de Conacri, Kankan, Labé e N’Zérékoré.
Sediada no Luxemburgo, a asssociação actua em 138 países e nasceu no rescaldo da Segunda Guerra Mundial, em solo austríaco, quando a Europa contava os seus órfãos. Setenta e cinco anos volvidos, o propósito mantém-se. Numa entrevista ao Lëtzebuerg Hoje, Sónia dos Santos, voz da organização no Grão-Ducado, recordou a dimensão do problema: mais de 200 milhões de crianças em risco de perder os pais, cerca de 250 milhões sem acesso à escola e, na Faixa de Gaza, uma criança morta ou ferida a cada dez minutos. No Luxemburgo, onde opera há mais de meio século sob o alto patrocínio da Grã-Duquesa, a associação gere 27 programas em 15 países, que beneficiam mais de 60 mil pessoas.
A confiança, insiste a responsável, constrói-se com provas e não com promessas. Auditorias no Luxemburgo e nos países de destino, equipas técnicas independentes, rastreabilidade de cada donativo. Por isso a organização prefere dinheiro a bens: comprar localmente reduz custos e dinamiza economias frágeis. Os resultados falam. Em 2025, uma recolha de 19.500 euros contribuiu para o rastreio nutricional de mais de 18 mil crianças e 5 mil grávidas ou lactantes em Moyale, na Etiópia, com a taxa de malnutrição aguda a descer de 5,3 % para 4 %. Quem quiser conhecer o trabalho de perto pode aparecer nos sábados solidários, com animação para crianças: a 19 em Opkorn e a 26 na Cloche d’Or.
O maior inimigo desta causa não é a falta de fundos. É a atenção que se apaga assim que as cameras se afastam. “Quando a camera desliga, nós ficamos”, resume a organização, que sustenta ainda um programa de apadrinhamento a partir de um euro por dia, com relatórios, fotografias e visitas possíveis, sem nunca forçar o contacto com a criança. Proteger uma criança, deixou claro Sónia dos Santos, não é caridade. É civilização.


