Um novo corredor financeiro entre Angola e a China começa a ganhar contornos práticos. O Banco Angolano de Investimentos (BAI) e o Bank of China Limited, Sucursal de Luanda, assinaram um memorando de entendimento que abre caminho à utilização do renminbi (RMB) nas trocas entre os dois países e à criação de novos canais para pagamentos transfronteiriços. O acordo prevê a abertura de uma conta de compensação em renminbi, o desenvolvimento de serviços de liquidação e compensação nesta moeda e o apoio à adesão indirecta do BAI ao Cross-Border Interbank Payment System (CIPS), através do Bank of China — uma das principais infra-estruturas internacionais para o processamento de pagamentos denominados na moeda da segunda maior economia mundial.
A iniciativa surge na sequência da decisão do Banco Nacional de Angola (BNA) de autorizar o renminbi no cumprimento das reservas obrigatórias em moeda estrangeira. Em poucas semanas, várias instituições financeiras angolanas reforçaram as ligações à infra-estrutura financeira chinesa e procuram agora canais próprios para liquidações em yuan. O peso da China na economia angolana ajuda a explicar o ritmo: é o principal destino das exportações de petróleo de Angola e, ao mesmo tempo, um dos maiores fornecedores de mercadorias ao mercado nacional.
Fazer pagamentos directamente em yuan pode cortar custos. A conversão prévia para dólar norte-americano ou euro deixa de ser obrigatória em determinadas operações, o que reduz a exposição das empresas às oscilações cambiais entre o kwanza e outras moedas de referência. Entre os potenciais beneficiários contam-se importadores, exportadores, investidores e outros agentes económicos com contrapartes chinesas, aos quais o BAI pretende disponibilizar soluções especializadas para pagamentos e liquidação de operações comerciais em RMB, sempre dentro dos requisitos regulamentares aplicáveis. Mais do que uma alternativa cambial, o mecanismo cria uma ligação mais directa entre os dois mercados e diminui a dependência do dólar como moeda intermediária.
«A assinatura deste Memorando de Entendimento constitui mais um passo na estratégia de internacionalização do BAI e reflecte o compromisso do Banco em disponibilizar aos seus clientes soluções cada vez mais robustas para apoiar as suas actividades internacionais», afirmou o presidente da Comissão Executiva do banco, Luís Filipe Lélis, citado pelo Expansão. Segundo o responsável, a cooperação com o Bank of China reforça a capacidade da instituição para acompanhar a dinâmica crescente das relações económicas entre Angola e a China, num momento em que o comércio, o investimento e a integração financeira entre os dois mercados ganham novo fôlego.


