A luta contra a seca ganhou um instrumento financeiro inédito à escala mundial. Foi lançado o Drought Resilience Investment Facility (DRIF), apresentado como a primeira plataforma global de financiamento catalítico dedicada a reforçar a resiliência de populações e territórios perante a falta de água, com o objectivo de mobilizar capital público e privado para investimentos em agricultura sustentável, segurança hídrica, restauro de solos e soluções baseadas na natureza.
O arranque da iniciativa deu-se durante a décima sétima sessão da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), realizada em Ulã Bator, na Mongólia, entre 17 e 28 de agosto. Resulta de uma parceria entre o Luxemburgo e a UNCCD, com o apoio da Aliança Internacional para a Resiliência à Seca (IDRA). Os números explicam a urgência: a seca já atinge cerca de 40 por cento das terras do planeta, com efeitos cada vez mais pesados sobre os meios de subsistência, a segurança alimentar e o desenvolvimento económico.
O Luxemburgo assumiu um papel de destaque na criação do mecanismo. De acordo com o Governo do Luxemburgo, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Europeus, da Defesa, da Cooperação para o Desenvolvimento e do Comércio Externo disponibilizou dois milhões de dólares de financiamento inicial para a concepção e a estruturação do DRIF, enquanto o Ministério das Finanças contribui com cinco milhões de euros como investimento âncora. «Enquanto parceiro fundador do DRIF, o Luxemburgo orgulha-se de contribuir para o avanço de soluções inovadoras contra a seca, um dos desafios mais prementes que as comunidades vulneráveis enfrentam em todo o mundo», afirmou o ministro Xavier Bettel, sublinhando o compromisso de «construir resiliência antes que a seca se transforme numa crise».
A lógica financeira foi resumida pelo ministro das Finanças, Gilles Roth. «O dinheiro público pode atrair muito mais investimento privado para áreas onde ele é urgentemente necessário», declarou, defendendo que o mecanismo deve transformar ideias promissoras em projectos com viabilidade de investimento, onde o mercado, por si só, não chegaria. O lançamento prolonga a aposta luxemburguesa no multilateralismo e no financiamento sustentável, num país que mantém o compromisso de destinar 1 por cento do seu rendimento nacional bruto à cooperação para o desenvolvimento e à acção humanitária.


