A investigação e a inovação deverão assumir um papel central na transformação do sector agrícola europeu, sobretudo perante a seca, o aumento dos custos dos factores de produção e os riscos crescentes para a produção animal. A nova Estratégia Europeia para uma Pecuária Sustentável e o Plano de Acção Europeu para as Proteínas foram apresentados como instrumentos essenciais para responder a estes desafios, conciliando desempenho económico, transição ecológica e soberania alimentar.
A questão esteve no centro da reunião informal de Agricultura e Pescas, realizada em Dublin nos dias 7 e 8 de Setembro de 2026, na qual participou Martine Hansen, ministra luxemburguesa da Agricultura, Alimentação e Viticultura. Segundo o Governo do Luxemburgo, a ministra defendeu que a redução das emissões de metano e amoníaco não deve significar simplesmente diminuir o número de animais, sendo necessária mais investigação científica e aplicada para encontrar soluções que permitam manter a produção animal. No Luxemburgo, 86% das superfícies agrícolas já utilizam ferramentas de agricultura de precisão, mas Hansen considera necessário continuar a desenvolver estas práticas, criar novas variedades, nomeadamente de leguminosas adaptadas às condições climáticas locais, e reforçar as cadeias de valor. A legislação europeia sobre novas técnicas genómicas poderá também abrir novas possibilidades.
A valorização da erva assume particular importância para a agricultura luxemburguesa, enquanto a ministra alertou para os limites de uma generalização da extensificação dos sistemas de produção, que poderia comprometer a segurança alimentar da União Europeia. Perante o aumento das doenças que afectam os animais, Hansen defendeu ainda investimentos em sistemas de detecção precoce, inteligência artificial e outras técnicas capazes de distinguir animais infectados daqueles que foram vacinados. Para apoiar esta transição, a Política Agrícola Comum deverá facilitar o acesso dos agricultores às novas tecnologias através de apoios ao investimento, projectos europeus de inovação, incentivo às culturas de leguminosas e reforço do aconselhamento agrícola.
O acesso às competências e à formação será igualmente determinante. De acordo com o Governo do Luxemburgo, Martine Hansen sublinhou que o sucesso da inovação agrícola não pode ser medido apenas pelo número de projectos financiados, mas pela capacidade dos agricultores para os adoptarem efectivamente e de forma economicamente viável, socialmente adequada e ambientalmente responsável. A reunião de Dublin colocou assim a investigação, a tecnologia e a formação no centro das respostas que a agricultura europeia terá de encontrar para enfrentar as mudanças climáticas e preservar a capacidade de produção.


