A violência contra as mulheres e o feminicídio voltaram ao centro do debate público no Brasil, impulsionados por uma campanha de sensibilização que, difundida nas redes sociais, ultrapassou já as 731 mil visualizações num único vídeo.
Por detrás da iniciativa está Lilian Medeiros, pré-candidata a deputada federal pelo Rio de Janeiro. O material recorre a uma linguagem visual dura, pensada para incomodar e obrigar quem assiste a parar. Funcionou. De acordo com o portal Absolute Rio, os vídeos reuniram milhares de comentários e manifestações, transformando aquilo que nasceu como uma acção de sensibilização num debate alargado sobre protecção, denúncia e combate à violência.
A mensagem é directa. Falar, denunciar, proteger, agir. Nada de rebuscado — apenas a insistência de que a agressão contra a mulher não pode ser naturalizada nem confinada às paredes de casa.
O eco chegou a outros estados. Em São Paulo, a também pré-candidata a deputada federal Elaine Moreira publicou um vídeo sobre o mesmo tema, num gesto que reforça a ideia de união em torno da causa. Segundo a equipa de Lilian Medeiros, citada pelo Absolute Rio, outras pessoas e grupos têm acompanhado a iniciativa e adoptado propostas semelhantes em diferentes pontos do país.
Há, contudo, um limite que estas campanhas expõem. As plataformas digitais fazem uma mensagem alcançar milhares de pessoas em poucas horas, mas a consciencialização tem de ir além do ecrã. Combater a violência de género implica prevenção, acolhimento, acesso à informação, mecanismos de protecção, responsabilização dos agressores e políticas públicas com continuidade. É aí que o assunto deixa de ser tendência passageira e passa a exigir o envolvimento de famílias, escolas, instituições e poder público.
O feminicídio não deveria surgir apenas quando um caso ganha as manchetes. Exige informação permanente e uma cultura capaz de reconhecer sinais de risco antes que seja tarde. Não normalizar. Não silenciar. Não ignorar. Quando uma mensagem sai do ecrã e leva outros a posicionar-se, deixa de ser um número e passa a ser movimento.


