Um novo agravamento das tarifas de transporte volta a pairar sobre o Xai-Xai. E chega cedo. Apenas um mês depois de os passageiros começarem a pagar mais cinco meticais nas principais rotas da cidade, os operadores ameaçam voltar a subir os preços, alegando que o custo dos combustíveis tornou a actividade insustentável.
A pressão é assumida sem rodeios. De acordo com o jornal moçambicano O País, os transportadores justificam a ameaça com o aumento das despesas operacionais — sobretudo o combustível — e dizem-se cada vez mais espremidos entre aquilo que gastam e o que podem cobrar aos passageiros. «O preço do combustível e a tarifa de transporte, não há equivalência entre as duas coisas. Digo-o porque até sinto pena do passageiro, mas foi o próprio Governo que criou uma jaula e nos meteu lá dentro, gerando confusão no meio da sociedade», desabafa um dos operadores.
O receio de uma segunda subida já está instalado. «Já estamos a recear o aumento, o segundo aumento. Está muito caro, está muito caro», afirma o mesmo transportador.
Há também quem compare os preços praticados no país com os da região. Um dos operadores contesta o valor do combustível e lembra que vizinhos abastecidos por via moçambicana pagam menos. «Dez litros são 1.017, dá uma voltinha e acabou. Não faz sentido: a África do Sul baixou, o Maláui baixou, e esses levam combustível pelos nossos terminais portuários; não se justifica», reclama.
A ameaça surge num momento delicado. Os passageiros ainda absorvem o aumento recente e persistem denúncias de cobranças acima dos valores oficialmente fixados, sobretudo nas rotas Patrice Lumumba, Praia de Xai-Xai e Inhamissa. Some-se a isto a exigência de regularização das viaturas, que muitos operadores dizem não conseguir cumprir. «No meu carro falta o vidro, falta organizar as cadeiras, mas dinheiro não tenho, estou aqui na estrada e o petróleo está cada vez mais caro», relata um deles.
Do lado do Município, a resposta é firme. A autarquia rejeita qualquer cobrança arbitrária e garante que actua sempre que recebe queixas. A fiscalização foi apertada. «Temos recebido algumas denúncias dos munícipes, neste caso de alguns que especulam os preços do transporte de passageiros», explica Hélia Solange, porta-voz da Polícia Municipal.
As queixas chegam ao Comando da Polícia Municipal pelos canais divulgados nas reuniões com as comunidades, seguindo-se a intervenção das equipas no terreno. «Quando os munícipes denunciam ao Comando da Polícia Municipal, através do contacto fornecido nas reuniões com a comunidade, a polícia vai ao local e trabalha com os transportadores», esclarece a porta-voz.
Os números da fiscalização não são pequenos. As operações resultaram já na apreensão de mais de 200 viaturas e na aplicação de multas por diversas infracções, entre viaturas sem a documentação exigida e condutores sem carta de condução. «Temos algumas viaturas que não apresentaram os documentos, por falta de licença, e alguns condutores que não apresentaram a carta de condução», revela Hélia Solange.
Entre a pressão dos operadores por uma nova revisão e a insistência do Município no cumprimento dos valores em vigor, a fiscalização contra a especulação mantém-se. E paira, por cima de tudo, a hipótese de os passageiros de Xai-Xai voltarem, em breve, a pagar mais.


