O património líquido global dos organismos de investimento colectivo domiciliados no Luxemburgo alcançou 6.731,325 mil milhões de euros no final de junho, um avanço de 1,46% em apenas um mês. Ao ritmo dos últimos doze meses, o volume de activos sob gestão engordou 16,31%, sinal de que o principal centro europeu de fundos continua a atrair capital apesar da turbulência dos mercados.
A subida mensal traduziu-se numa variação positiva de 96,932 mil milhões de euros. Parte veio de dinheiro novo: os investimentos líquidos de capital somaram 23,846 mil milhões (+0,36%). O restante — 73,086 mil milhões (+1,10%) — resultou da valorização dos próprios mercados financeiros.
O universo contabilizado pela CSSF, a autoridade que supervisiona o sector financeiro do Grão-Ducado, ficou-se pelas 2.968 entidades, menos treze do que em maio. A maioria (2.008) adopta a estrutura chamada «umbrella», que reúne 12.308 subfundos. Somadas as 960 entidades de estrutura tradicional, estavam activas na praça financeira 13.268 unidades de fundos.
Junho foi um mês de sobressaltos. A assinatura de um memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irão fez cair a pique o preço do petróleo, que regressou aos valores anteriores ao conflito e aliviou as expectativas de inflação. Foi também o mês da entrada em bolsa da SpaceX, a maior oferta pública inicial de sempre. E o discurso mais duro da Reserva Federal norte-americana valorizou de forma acentuada o dólar face ao euro. Neste enquadramento, as acções europeias fecharam o mês com ganhos expressivos, empurradas pela descida do crude; as norte-americanas também subiram, medidas em euros, ainda que com alguma consolidação, entre dúvidas sobre os modelos de negócio da inteligência artificial e depois de meses de fortes valorizações.
Nas acções, o investimento líquido foi globalmente positivo, com os maiores fluxos a dirigirem-se aos segmentos norte-americano, da Europa de Leste e às «outras» acções, compensando as saídas registadas nas restantes categorias.
Do lado das obrigações, a queda das taxas de juro — puxada pelo abrandamento dos receios inflacionistas — deu fôlego ao mercado, com os spreads de crédito estáveis. Nos Estados Unidos, porém, as taxas de curto prazo subiram, reflexo da postura conservadora da Reserva Federal na sua primeira reunião de política monetária presidida por Kevin Warsh, encontro em que os juros ficaram inalterados. Na Europa, o Banco Central Europeu subiu a taxa de depósito em 25 pontos base, como se esperava. Todas as categorias de rendimento fixo terminaram junho com retornos positivos, ajudadas ainda pelos movimentos favoráveis das divisas. O investimento líquido foi positivo em toda a linha, com excepção do mercado monetário em euros e das obrigações de mercados emergentes.
Os fundos diversificados e os fundos de fundos luxemburgueses também encerraram o mês em terreno positivo, tanto na valorização de mercado como na captação líquida.
No capítulo dos movimentos administrativos, nove organismos entraram na lista oficial durante o mês. Entre os regidos pela Parte I da Lei de 2010 contam-se o IXIOS FUNDS LUX e o NATIXIS INTERNATIONAL MATURITY FUNDS; na Parte II inscreveram-se o GLOBAL MOSAIC S.A. SICAV e o THOMA BRAVO PRIVATE EQUITY (LUX) FUND SCA-SICAV; entre os fundos de investimento especializados figuram o CBRE GA (LUXEMBOURG) FUND SCA-SICAV-SIF e o MAGELLIM REIM LUXEMBOURG SCSP SICAV-SIF.
Em sentido inverso, vinte e duas entidades foram retiradas do registo. A lista inclui o BNP PARIBAS FLEXI 2 e o MUZINICH EUROPEAN LOANS 4 ELTIF SICAV, o fundo especializado BPM MEZZANINE FUND SICAV-SIF e a sociedade de investimento em capital de risco GLOBAL IMPACT FUNDS S.C.A.


