Cada vez mais dinheiro público é canalizado para as empresas do Estado, e o retorno continua a não acompanhar esse esforço. As contas do Sector Empresarial Público (SEP) relativas ao exercício de 2025 mostram que estas companhias custaram cerca de 352 milhões de dólares aos contribuintes angolanos e devolveram apenas 83 milhões em dividendos. Um desequilíbrio que salta à vista.
O grosso da factura vem das capitalizações. Foram 271,9 mil milhões de kwanzas injectados nas empresas, aos quais se juntam mais 49,0 mil milhões em subsídios operacionais. Somadas as duas rubricas, o SEP pesou cerca de 320,9 mil milhões de kwanzas nos cofres — o equivalente a 352,0 milhões de dólares à taxa de câmbio do final do ano. É um salto de 66% face aos 193,6 mil milhões registados em 2024, segundo cálculos do jornal Expansão a partir das contas divulgadas pelo Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE).
Como se explica esta subida? A pergunta ganha peso quando se recorda que o Governo lançou, em 2019, o Programa de Privatizações (ProPriv), precisamente para reduzir o tamanho do Estado na economia e ganhar eficiência. O programa, porém, continua por fechar. Falta ainda alienar nove activos até ao final deste ano.
Entretanto, o aparelho mantém-se «pesado». Em 2025, o universo do SEP era composto por 86 activos — 57 empresas públicas, 25 empresas de domínio público e quatro participações minoritárias. Um ano antes eram 87. Ou seja: entre privatizações, extinções, sociedades criadas e nacionalizações, o saldo foi de uma única entidade a menos. Números que levantam dúvidas sobre a real eficácia da reforma.
E para onde foi o dinheiro? Segundo o Expansão, a BDA foi a empresa que mais capitalizações recebeu ao longo do ano. Já no capítulo dos subsídios operacionais, o sector da comunicação social pública absorveu, sozinho, 77% de tudo o que o Governo distribuiu.


