O futebol feminino ganhou um aliado improvável no grande ecrã. «Kung Fu Girls Soccer», longa-metragem que cruza as artes marciais com a modalidade, reacendeu o entusiasmo em torno do desporto e levou a história de um grupo de raparigas das montanhas de Guizhou, no interior da China, a atravessar o oceano até ao Brasil. A paixão, dizem elas, não conhece fronteiras.
A obra nasceu de uma colaboração invulgar. A equipa de filmagem juntou-se à formação feminina de Yuanbao, um conjunto de jogadoras que treina nas alturas de Guizhou e que transformou o sonho de jogar num gesto de afirmação. Segundo o portal Absolute Rio, foram estas atletas — habituadas à altitude e ao isolamento das serras — que emprestaram ao filme a sua determinação, mostrando que os objectivos não se medem pela cota a que se vive.
E a história não ficou pela China. O espírito do filme e o percurso das jovens de Yuanbao chegaram à selecção brasileira feminina de futebol juvenil, que se reviu naquele testemunho. A resposta foi um convite: o Mundial Feminino de 2027, primeira grande prova do género a realizar-se em solo sul-americano, terá lugar no Brasil, e as brasileiras estenderam a mão às colegas do outro lado do mundo.
O gesto foi retribuído. O realizador Stephen Chow e a equipa de Yuanbao acolheram o convite de braços abertos, enquanto se aguarda a estreia de «Kung Fu Girls Soccer» nas salas brasileiras. Entre as serras de Guizhou e os relvados que receberão o Mundial daqui a dois anos, fica a ideia que atravessa tudo — no futebol, a paixão sincera fala uma língua só.


